novembro 18, 2007

Área de Humanas X Área de Exatas

Posted in Meus textos às 8:03 pm por espacointuicao


Sinópse: O histórico preconceito entre os cientistas das ciências consideradas da Natureza e os cientistas das ciências do Homem. Ao físico, matemático ou químico o objeto de estudo das ciências sociais (humanas), como a História, Sociologia e Antropologia, parece um tanto obscuro e indefinido. Porém, alguns escritores apresentam argumentos contra esse tipo de comportamento e tentam teorizar sobre o objeto das Ciências Humanas. Abaixo segue uma breve reflexão sobre o tema.

Por Joandre Oliveira Melo

Achei interessante o artigo publicado na folha de São Paulo pelo psicanalista e professor da PUC/SP, Renato Mezan. O nome do artigo é: “Sobre pesquisadores e andorinhas” e foi publicado em 29/04/2007, no caderno Mais.

Em resumo, o autor reflete e, ao mesmo tempo, rebate a idéia, equivocada, de que os pesquisadores e cientistas das especialidades de exatas têm sobre o objeto de estudo e o método de análise dos profissionais da área de humanas.

Segundo o autor, os tempos estão mudando com relação às pesquisas; onde antes trabalhava solitariamente um cientista, hoje em dia, trabalha-se em equipe. Os projetos agora não remetem à responsabilidade de uma só pessoa, mas, ao grupo.

Outra crítica do autor, refere-se à exigência de se ter uma publicação do trabalho em uma revista especializada e, ou que seja julgado pelos seus pares. Caso contrário, o conhecimento produzido não tem valor. Ele critica o que chamou de “monismo epistemológico”, de certa forma, imposto pelas carreiras das ciências exatas e que buscam sempre uma lei universal ou, que tudo se explique através da lógica. Ele segue em defesa de um método para cada disciplina.

Mezan enumera algumas diferenças. A primeira refere-se à impossibilidade de se trabalhar experimentalmente com objetos abstratos (como um documento medieval). Convivem, continua Mezan, no objeto de estudo das ciências humanas, inextricavelmente conjugados, traços únicos e traços comuns ao gênero. Ou seja, para o cientista da natureza, basta uma amostra para que seja analisada e se conheça o todo. No caso acima, o cientista tem uma forma padrão de desenvolver seu estudo. Por outro lado, os cientistas da área de humanas podem, dependendo da forma com que abordam um tema ou as teorias que são capazes de formular, trazer à luz abordagens consistentes e de grande alcance.

Outra diferença, é a tendência da individualidade; Mezan afirma que grandes sínteses de pensamentos e até sistemas complexos, na maioria das vezes, surgem da cabeça de uma única pessoa. No caso das ciências humanas, trabalhando com objetos abstratos e de naturezas diversas, fica mais difícil compreender o todo através das partes, embora, em alguns ramos, o trabalho possa se desenvolver em equipe na formulação e testes das teses, a conclusão repousa, quase sempre, na compilação mental dos dados por um indivíduo.

Finalmente, Mezan assegura que o impacto de um trabalho não tem relação com o fato de ter sido pensado e trabalhado por uma pessoa ou por um grupo, mas se ele é capaz de enriquecer os conhecimentos já adquiridos, confirmando-os ou refutando-os. Afinal, todo conhecimento é coletivo; não se pode pensar um empreendimento como esse sem estar dialogando, compartilhando informações, fazendo uma pesquisa bibliográfica, entre outras formas de relacionamento e troca de informações.

Como última observação, o autor levanta o problema da gestação dos trabalhos na área das ciências humanas. Devido à complexidade do objeto, os resultados geralmente se manifestam em livros que sintetizam vários anos de trabalho.

Finalizando, Mezan conclama aos pesquisadores das ciências humanas para uma cruzada contra o preconceito. As armas são: a excelência dos trabalhos; o foco preciso na produção de um conhecimento consistente e que atendam, infelizmente, as demandas utilitaristas do presente.

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Referências Bibliográficas

MEZAN, Renato. Sobre pesquisadores e andorinhas. Folha de S. Paulo: 29/04/2007 (p. 6)

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