novembro 29, 2007

Artigos: Privatização da notícia.

Posted in Artigos às 11:25 pm por espacointuicao

Não poderia deixar de divulgar o artigo abaixo, Talvez vocês todos já o tenham lido, mas o texto merece ser divulgado uma vez mais.

O artigo escrito na Folha de S. Paulo, de 27/11/2007 é de autoria do Carlos Alberto Libânio Christo o “Frei Betto”, um homem de grande credibilidade, muito culto, uma capacidade analítica incomparável e dotado de um alto grau de discernimento.

Não é necessário nenhum comentário a mais, o texto por si só é esclarecedor. Do texto publicado destaquei as partes que considero mais importantes no discurso do preclaro escritor:

Numa sociedade marcada pela desigualdade e pela “cultura da morte”, denunciada por João Paulo 2º, a lei de talião tende a prevalecer sobre a ação política capaz de assegurar à maioria condições dignas e pacíficas de vida. O mais grave, porém, como o comprova o filme “Tropa de elite”, é a polícia e o cidadão, céticos ante os recursos legais, como o Judiciário, adotarem o mesmo procedimento dos bandidos. Prende-se ao arrepio da lei, tortura-se, esfola-se, mata-se, reduzindo caso de política a caso de polícia.(…)

(…)Restaura-se a lei de Lynch, agora turbinada pelo sofisticado apelo à terceirização: já não é preciso que o cidadão suje as mãos de sangue ao linchar o bandido. A polícia é paga para que o faça, respaldada pela impunidade e pelo apoio desse segmento da população convencido de que “bandido bom é bandido morto”.


O paradoxal é que os mesmos que defendem o método “olho por olho, dente por dente” são contrários aos direitos humanos… Exceto os deles! Eles, sim, querem para si todos os direitos da Carta da ONU, que, em 2008, comemorará 60 anos. O paradoxo se explica por serem portadores da mesma antiética do preconceito e da discriminação que motivou colonizadores ibéricos ao massacre dos indígenas da América Latina, Hitler ao holocausto dos judeus e Bush ao genocídio no Iraque.
É dom de Deus a biodiversidade. E deveria nos servir de parâmetro para a vida social, sem transformarmos a diferença em divergência, como ocorre com freqüência entre patrão e empregado, branco e negro, ocidental e oriental etc. É o que sublinha o episódio bíblico da torre de Babel. Seus construtores a erigiam movidos pelo orgulho de “falar uma só língua” (unanimidade) e de inverter, “prometeicamente”, a relação entre Criador e criaturas: a torre simbolizava o poder humano de penetrar os céus e destronar Javé. Este, porém, preferiu a pluralidade à unanimidade, diversificando a linguagem. O que aos humanos pareceu confusão e maldição era bênção aos olhos divinos.

O preconceito, raiz da discriminação, nos é incutido pela cultura advinda da família, da escola, da mídia. Faz-me temer o semelhante porque ele não se veste tão bem quanto eu, não tem uma aparência que me agrada, adota atitudes que suspeito ameaçadoras, manifesta idéias que não coincidem com as minhas… Em nenhum momento o preconceituoso se dá conta de que ele é mero acaso da loteria biológica. Não escolheu a família e a classe social em que nasceu. E, num mundo em que, de cada 3 nascidos vivos, 2 nascem condenados à pobreza e à miséria, o privilégio de estar acima da linha da pobreza deveria ser encarado como uma dívida social.(…)


Hoje, [a violência Urbana] ocorre no atacado, com gangues organizadas, do narcotráfico (abastecido pelo mesmo consumidor que aplaude o policial que mata bandidos) aos comandos carcerários.(…)

Os apologistas de Lynch não percebem que, enquanto as causas da violência não forem atacadas, eles também se tornam vítimas da mais sutil violência: o medo interiorizado.(…)

É tudo que o sistema espera de todos nós: mudemos os métodos, não o próprio sistema. Assim, aprimoram-se os recursos repressivos -escutas telefônicas, vigilância eletrônica, gases paralisantes- sem abrir os olhos à cultura do óbvio, apontada pelo profeta Isaías há 2.700 anos: só haverá paz como fruto da justiça. O que, em termos atuais, significa que, sem democracia econômica, a democracia política será sempre um arremedo virtual.

(*) Imagem de Frei Betto no Wikipédia, disponível em: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/58/Frei_Betto_25385.jpeg/200px-Frei_Betto_25385.jpeg
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Referências Bibliográficas

CHRISTO, CARLOS ALBERTO LIBÂNIO ( Frei Betto). Privatização da Revolta. artigo para folha de S. Paulo, caderno Opinão em 27/11/2007. Disponível em http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2711200709.htm, 29/11/2007 as 21:47.

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