fevereiro 26, 2008

Um dia na vida de Torquato de Almeida

Posted in Artigos às 12:38 am por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo


Durante as leituras dos documentos no Acervo Documental Mesopotâmia Mineira, deparamo-nos com um fato interessante ocorrido com uma das figuras mais conhecidas da nossa região.

Recentemente fomos agraciados com cerca de quatrocentos documentos cartoriais – repassados pelo digníssimo Juiz da comarca de Pará de Minas – os quais somaram-se aos mais de três mil já existentes no acervo. Dentre esses documentos encontra-se o processo crime nº 673, do ano de 1900, tendo como autor a Justiça, através do promotor senhor Fernando Otávio, sendo o réu o senhor Joaquim de Souza Mattos, alcunha Joaquim Brás.

O motivo do processo crime fora o ferimento causado pelo projétil disparado de uma garrucha – uma espécie de pistola que se carrega pela boca – contra o senhor Torquato Alves de Almeida, enquanto realizavam uma permuta entre a arma supracitada, sendo esta de propriedade do senhor Joaquim Brás e um selim, proposta pelo senhor Torquato.

Abaixo transcrevemos, diretamente do texto, um resumo do incidente que vitimou Torquato Alves de Almeida e foi a causa do presente processo:

No dia 10 do corrente mês [10 de outubro de 1900] entre 10 e 11 horas do dia, nesta cidade a praça Affonso Penna, achava-se Joaquim Brás, Torquato Alves de Almeida e outros na casa comercial do cidadaõ (sic) Franscisco Torquato de Almeida [pai de Torquato Alves de Almeida], onde, com Torquato, esperimentava(sic) uma garrucha de sua propriedade, com o intuito de effetuar a permuta da mesma por um selim, pertencente a Torquato.

Findas as experiencias [Torquato deflagara dois tiros em uma tábua, de acordo com depoimento de testemunhas, citados mais à frente] e quando Joaquim Brás estava a colocar as cápsulas que haviam sido tiradas da arma, esta detonou, disparando um tiro, cujo projétil foi ferir a Torquato Alves de Almeida na regiaõ mamaria esquerda, produsindo no paciente a offensa phisica descripta no auto do corpo de delicto as fls. 3. Não tendo produsido a morte instatanea da vitima porque, por felicidade desta e por um acaso providencial -, o delinqüente achava-se assentado e o paciente de pe, o que deu logar ao resvallamento do projetil na direcçaõ da regiaõ mamaria para o omoplata(…)(p. 2 frente e verso).

No rol de testemunhas estão: Augusto Lopes Cançado, Joaquim Sebastião de Almeida, Francisco Lopes Cançado, Dorval Avelino de Almeida Paiva e Valeriano Lopes Cançado.

O delegado, Evaristo José de Mello, expediu no dia 11 de outubro de 1900 – assim que fora informado do acontecido – o pedido de exame de corpo de delito e intimou as testemunhas a comparecerem à sua presença para que prestassem seus depoimentos. Foram nomeados os doutores Cândido José Coutinho da Fonseca e João Severiano de Souza Matta, para a execução do exame médico no paciente e conclusão do auto. Destacamos abaixo, parte do texto com o laudo dos doutores, segundo consta no auto de corpo de delito:

(…)na regiam mamaria esquerda encontraram um ferimento de dez milímetros de extençaõ [sic], mais ou menos produsido por arma de fogo, da direita para a esquerda enteressando [sic] aos tecidos da regiaõ escapula umeral esquerda e alojando-se na parte anterior do osso plato(…)(P. 6 verso).

Verificamos através do exame e conclusão do auto de corpo de delito que o ferimento fora considerável provocando uma grave lesão no senhor Torquato.

Após ser notificado do ocorrido, o delegado Evaristo José de Mello instaurou inquérito e iniciou o processo, nomeando os peritos para que se procedesse ao exame de corpo de delito e intimando as testemunhas. “Vistos e examinados (…) julgo procedente o presente auto de corpo de delicto para produsir os devidos effeitos. (…) intime aos Senres o senr. escrivão intime aos Senres Augusto Lopes, Joaquim Sebastião de Almeida, Dorval Avelino de Almeida Paiva, Francisco Lopes Cançado e Valeriano Lopes Cançado, todos residentes nesta cidade”(p. 7v).

Assim, no dia dezesseis de outubro de 1900, às onze horas, na sala de audiência procedeu-se o primeiro depoimento das testemunhas na presença do delegado. No dia treze de novembro de 1900, “(…) em casa de residência do Doutor Alfredo Ribeiro, juiz substituto desta comarca, (…) as onze horas da manhã, (…) vão ser inqueridas as testemunhas deste processo a revelia do réo(…)”(p. 12).

As testemunhas intimadas a depor foram: Augusto Lopes Cançado, 24 anos, solteiro, natural da cidade do Pará; Francisco Lopes Cançado, setenta e quatro anos, viúvo, natural do município de Pitangui; Valeriano Lopes Cançado, sessenta e três anos, casado, natural do município de Pitangui; Joaquim Sebastião de Almeida, dezessete anos incompletos, solteiro, natural da Varginha e primo em segundo grau de Torquato; Dorval Avelino de Almeida Paiva, vinte e três anos, solteiro, natural de Santa Anna (hoje Itaúna), primo em segundo grau de Torquato. Todos residentes na cidade do Pará.

Todas as testemunhas narraram os fatos uniformemente, sem disparidades, apenas acrescentando alguns detalhes quando estavam perante o juiz substituto.

Todos disseram que o motivo do encontro dos dois envolvidos, Joaquim Braz e Torquato Alves de Almeida, fora motivado por uma transação comercial.

Augusto Lopes Cançado relatou que, “(…) as onze horas da manhã mais ou menos, estando elle depuente em casa de negocio de Francisco Torquato d’Almeida, nesse momento entrou Joaquim Braz e começou a fazer o negocio, (…) trocar o selim por uma garrucha.”(p. 12).

Durante a transação Joaquim Braz recusou-se a mostrar o objeto da troca, a garrucha, a Torquato. Joaquim Sebastião de Almeida conta que em dez de outubro estava na casa de negócio de Francisco Torquato, quando chegara Joaquim Braz para realizar uma “permuta de selim por garrucha”, combinado na véspera por ambos. “(…) Exigindo Torquato a garrucha para esperimentar, Joaquim, recusando dar-lhe a por se acharem no negocio outras pessoas, veio afinal a entregar-lhe em vista da insistência [de Torquato](…).”(p.15).

Tendo a garrucha em mãos, retiradas as balas, partiu Torquato para fora do seu comércio decidido a testá-la. Segundo Augusto Lopes Cançado, após insistente pedido de Torquato, Joaquim Braz “(…) entregou-a a Francisco Valeriano, e eu depoente tirei as duas ballas, então Torquato querendo esperimenta-la sahio para a rua pedindo a Joaquim Sebastião umas ballas que estavão em cima da mesa e com estas dando dous tiros em uma taboa.(…)”(p.8v).

Após experimentar a arma, como desejava, Torquato retornou à casa de comércio entregando-a a Joaquim Braz. Ao carregar novamente a garrucha, uma das cápsulas detonou atingindo Torquato no lado esquerdo do peito. Assim narrou Joaquim Sebastião de Almeida: “(…) Esperimentada a arma e de novo entregue a Joaquim e no momento em que de novo enfiava as duas capsulas uma dellas detona-se indo o projetil auvejar a Torquato, ferindo-o na região mamaria superior.”(p.15v).

Sobre o que ocorreu após o incidente, os depoimentos estão desencontrados. De acordo com Francisco Lopes Cançado: “(…) estando em casa de seu irmão Valeriano Lopes Cançado e ouvindo gritos e choros pelos lados da casa de Torquato de Almeida chegou a porta para verificar e vendo que continuava o pânico e que o offendido tendo a mão sobre o peito subia o bêco que vem da Vargem para o largo e nesse momento chegou o Doutor Valladares que conduzira-o para o interior da casa onde teve a testemunha opportunidade de vêr a offensa apezar de lhe ter dito antes o próprio Torquato elle não estava offendido.(…)”(p. 13v).

Valeriano Lopes Cançado contou que soube por uma pessoa da sua família que, “(…) Torquato de Almeida estava offendido por um tiro; sahindo encontrou Torquato na porta de casa com a mão no peito e pedio a testemunha que fosse chamar ao doutor Candido o que fês prontamente(…)”(p. 14 e 14v).

Por outro lado, todas as testemunhas e Torquato foram unânimes em afirmar que Joaquim Braz não teve culpa, tendo sido uma fatalidade o que ocorrera.

Em um trecho do depoimento de Augusto Lopes Cançado, ele afirma ter presenciado que Joaquim Braz estava “(…) extremamente surpreendido [sic] chorava dizendo ao offendido que não era elle culpado e que semelhante facto tinha como origem a fatalidade.(…)”. Mais a frente completa: “(…) Estas mesmas frazes foram pronunciadas pelo offendido que sempre afirmava a inocência de seu offensor(…)”(p. 12v).

Francisco Lopes Cançado assegurou que não “(…) sabe nada que disabone o comportamento do denunciado e afirma que tanto o offendido como sua família são os primeiros apresentarem-o [sic] como inculpável.”(p. 13v e 14).

Continuando, diz Valeriano Lopes Cançado saber que, “(…) entre offensor e offendido e familia deste existia amisade, (…) ainda hoje sem alteração.”. Disse ainda, “(…) que no dia do delicto, vío o denunciado em casa do offendido chorando e ignora que houvesse qualquer motivo para assim propositalmente proceder o denunciado.(…)”(p. 14v).

Chegamos ao fim dos depoimentos. Sabemos, através de leitura de outras páginas do processo, que houve um pedido de prisão para o réu e, que o mesmo se apresentou à polícia posteriormente, e foi detido. O juiz da época, Doutor Pedro Nestor de Salles e Silva, presidiu o julgamento e pronunciou a sentença. Para defender o réu foi nomeado José da Costa Guimarães Sobrinho.

Pela leitura da página 24 do processo-crime em epígrafe, sabemos que foi instaurado um processo e houve um pedido de prisão para o réu. Porém, Joaquim Braz entregou-se deliberadamente à polícia, em 28 de janeiro de 1901, conforme trecho destacado: “Certifico que o reo Joaquim Mattos, (…) entrou hoje voluntariamente para a cadéa, onde ficou prezo, a fim de responder ao jury na próxima sessão que se acha convocada para o dia 28 do corrente mês [janeiro]” (p.24).

O réu recebeu uma cópia do libelo, através do senhor Moysés da Costa Guimarães, juntamente com seu curador (espécie de tutor ou advogado), senhor José da Costa Guimarães Sobrinho, notificando-os do andamento do processo.

Emitidos os mandatos intimando as testemunhas e sorteados os cidadãos, em número de trinta e dois, para comporem o júri, marcou-se para o dia 29 de janeiro e dias seguintes, o julgamento do réu Joaquim Braz, pelo crime contra Torquato.

Através da leitura da ata da sessão, assinada pelo juiz e o promotor, Fernando Otávio da Cunha Xavier, podemos tentar reconstituir o julgamento.

Presidindo a sessão estava o senhor Doutor Pedro Nestor de Salles e Silva, juiz de direito na época e o promotor público. Francisco José de Araújo, oficial de justiça juramentado, serviu como porteiro. Dos trinta e dois cidadãos sorteados, trinta estavam presentes; dentre os presentes foram escolhidos oito, a saber: Ricardo José Marinho; Adelino Cecílio dos Santos; Virgilio Domingues Maia; Joaquim Pereira Duarte; João Jacintho de Mendonça Sobrinho; José Henriques Pereira Campos Filho; Francisco Pereira Costa e José Feliciano Carlos. Foram rejeitados pelo réu: João Dornas dos Santos; Olympio d’Abreu e Silva e Joaquim Candido Louzada. Rejeitados pelo promotor: Doutor Antônio Benedito Valadares Ribeiro. Também foram excluídos Francisco Justino Ribeiro, “(…) por ser genro do promotor de justiça e Antônio Francisco de Mendonça por ser irmão do quinto jurado”(p. 30 verso).

Após a escolha dos componentes do júri, prosseguiu-se com o julgamento; o juiz interrogou o réu, foi lido todo o processo e o promotor público apresentou a acusação, baseado nos artigos da lei vigente, desde 1892, fundamentando a culpabilidade do réu. Seguiu-se a interpelação das testemunhas – já mencionadas em artigos anteriormente publicados. O senhor José da Costa Guimarães Sobrinho procedeu à defesa, alegando ausência de intenção de se cometer o ato criminoso, sendo o ocorrido uma fatalidade. O juiz – logo que terminaram os depoimentos e interpelações – dirigindo-se ao júri argüiu-lhes se os dados apresentados eram suficientes para emitirem o julgamento. Como afirmaram positivamente, eles foram conduzidos à sala secreta para julgar a causa.

Após algum tempo, os jurados deixaram a sala secreta e apresentaram o documento contendo o que fora decidido, anteriormente, entre eles. Pode-se ler, nesse documento, que os jurados responderam a uma espécie de questionário, onde escreveram o que concluíram das provas apresentadas. Por unanimidade, conforme seu julgamento, o réu praticara o crime, prescrito no “§1º do artigo 42”, porém sem nenhuma intenção de praticá-lo. Ainda, por unanimidade, na última questão, o júri reconhece a fatalidade do incidente em decorrência de um ato, que julgaram lícito (p. 40).

Abaixo transcrevemos parte da sentença do juiz, Doutor Pedro Nestor de Salles e Silva, baseada na decisão do júri: “De conformidade com a decisão do jury absolvendo o reo Joaquim de Souza Mattos da acusação que lhe foi imputada(…)”(p. 40). Pede que emitam o alvará de soltura para o réu. Sentença pronunciada e escrita em 30 de janeiro de 1901.

Os dados apresentados neste artigo, juntamente com os outros dois publicados anteriormente e já mencionados acima, referem-se à leitura e interpretação de um documento de processo-crime do último ano do século XIX e refletem apenas uma visão do fato, limitando-se a uma análise apenas. Infinitas visões e interpretações podem “brotar” das várias leituras que se pode fazer do documento em epígrafe. Esse é o verdadeiro fascínio do estudo historiográfico: não existe uma narrativa pronta e definitiva do fato; o que existe, são interpretações.

(*)Foto: Torquato alves de Almeida (atrás, no centro) com a esposa D. Onésima e parentes. Acervo: Museu Histórico de Pará de Minas.
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O texto acima refere-se a três artigos, de minha autoria, publicados na coluna Resgate histórico de responsabilidade do Grupo Acervo Documental Mesopotâmia Mineira, publicação semanal: Jornal Diário.

Acervo Documental Mesopotâmia Mineira: Geraldo F. Fonte Boa (Coordenador do Projeto) e-mail: fonte@nwnet.com.br, Flávio M. S. (Coord. Curso de História FAPAM. HP: http://www.nwm.com.br/fms), Ana Maria Campos (MUSPAM); Professores formados em História na FAPAM: Alaércio Delfino, Geraldo Rodrigues e Joandre Oliveira Melo. Site FAPAM: http://www.fapam.edu.br. Nosso blog.: http://mesopotamiamineira.blog.terra.com.br.

fevereiro 25, 2008

ELEGIA 1938

Posted in Poemas às 10:16 pm por espacointuicao

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

(…)

Caminhas entre os mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Carlos Drummond de Andrade.

Foto: Carlos Drummond de Andrade. Disponível em: http://www.astormentas.com/media/Carlos%20Drummond%20de%20Andrade1.jpg, 25/02/2008, 19:50

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Referências
ANDRADE, Carlos Drummond de. ELEGIA 1938. In.: Sentimento do mundo. 5ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2004.

fevereiro 17, 2008

A produção material de uma região

Posted in Artigos às 3:07 am por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

É interessante notarmos como a produção material de uma região influencia todo um modo de vida, direciona a maneira de ver o mundo, o sobrenatural em que acreditamos e até a forma como atuamos no meio. Cria-se realmente uma cultura, e esse é um ramo da historiografia que é estudado com bastante atenção pelos sociólogos, antropólogos, economistas e, logicamente, pelos historiadores. É preciso, entretanto, adianta o historiador José D’Assunção Barros, examinar não apenas o objeto material (construções, pontes, edifícios, aqueduto, etc.), mas as implicações sociais desse plano material sobre a cultura, a forma de pensar e agir e as técnicas envolvidas na produção e uso das reservas naturais.

Karl Marx (1818-1883), em sua obra “A ideologia Alemã”, escrita juntamente com Friedrich Engels (1820-1895), destaca com grande propriedade, como fato histórico e primordial, a tarefa do homem em moldar o ambiente para sua sobrevivência biológica. Essa forma como o homem se reúne e produz a sua existência determina profundamente as características de um povo enquanto nação ou região. Toda a produção social do homem (religião, cultura, ciência, moda, aparato judicial) se sujeitará, em última análise, ao suporte material fornecido pela natureza.

Um exemplo disso, em uma esfera um pouco acima da produção material em si, mas que, nem por isso deixa de ser determinante e determinada pela base material de uma região, é a sexualidade. Através do ato sexual molda-se toda uma estrutura familiar, social, religiosa. É comum, por exemplo, construirmos nossas vidas em torno do casamento, dos filhos gerados dessa relação ou até mesmo direcionarmos nosso comportamento dependendo da “opção” sexual para um relacionamento diferente do convencional (heterossexual), mas, completamente normal como o Homossexual ou o Celibato. Logo, o sexo é uma condição determinante da vida do povo de uma região. Essa interação sexual pode, no entanto, variar entre as diversas culturas que hoje existem no mundo e, até mesmo, se observarmos os registros históricos em torno desse tema, algumas formas já floresceram e se extinguiram de acordo com a necessidade material, que também variou no decorrer dos anos.

Outra forma determinante é a produção, vamos dizer, “dura”: aquela na qual encontramos os meios de produção, os recursos naturais e os produtos criados pelo homem para sobreviver nesse meio e transformá-lo de modo a manter a sua existência biológica. Aqui entram as máquinas, as ferramentas, os edifícios para a produção dos artefatos de moradia; enfim, tudo isso não é, senão, a objetivação do trabalho do homem. É a corporificação da ação do homem atuando no meio, de forma determinada por esse meio.

Pois bem, agora que já vimos sobre a teoria da cultura material, vamos à aplicação dos conceitos. Para citar alguns exemplos, podemos refletir sobre as festividades de nossa região e de nossa cidade. Primeiro exemplo: podemos fazer uma comparação da influência da cultura material entre as cidades de Pará de Minas e Papagaio. Nós observamos que a forma de produção da vida em nossa região é mais dependente, pelo menos mais recentemente, da avicultura e atividades agropastoris em Pará de Minas do que em Papagaio, ao passo que, nesta última, desponta como principal atividade econômica a produção e comercialização da ardósia, um tipo de rocha metamórfica explorada em veios abaixo do solo. É comum então verificarmos que nas referidas cidades ocorrem variações da manifestação popular; enquanto temos em Pará de Minas as portentosas exposições: festa do frango e peão, em Papagaio as manifestações giram em torno da famosa pedra azulada. Seria, prosseguindo com a análise, completamente diferente se em Pará de Minas fosse descoberto uma enorme jazida de minério de ferro, ou que durante a exploração da ardósia em Papagaio, fosse localizada uma enorme reserva petrolífera. Todo o modo de vida, as manifestações culturais, a maneira de ver o mundo, as produções materiais se alterariam, nestas cidades, com o tempo.

O trabalho do grupo Mesopotâmia Mineira é tentar entender essas transformações, analisando os documentos antigos. Dessa forma, o grupo atua dentro do campo da História da Cultura Material – quando analisa os inventários, quantifica a produção, o número de escravos, o que era mais consumido, o tipo de tração de arrasto, etc.. Enfim, quando catalogamos e analisamos este aspecto da produção do homem de Pará de Minas do século XIX, estamos lançando uma luz para entendermos porque somos o que somos, como as coisas “evoluíram” – no sentido de passagem de um estado ao outro – para o estado de coisas atual, porque somos assim ou fazemos dessa maneira.

Finalizando, deixamos uma grande dúvida no ar: o embate de idéias de dois grandes pensadores: de um lado Georg W. F. Hegel (1770-1831), brilhante filósofo alemão, que afirma que “o homem é um ser de desejo”. De outro lado, o não menos intrigante e revolucionário Karl Marx (1818-1883), também alemão e, durante certo período de sua vida discípulo de Hegel, que diz: “o homem é um ser de necessidades”. A produção material molda o homem ou o homem molda a sua produção material?

(*) Imagem: Os agiotas, de Marinus Van Reymerswael, pintor da escola holandesa (século XVI). disponível em: http://www.cliohistoria.hpg.ig.com.br/bco_imagens/moeda/moeda_01.htm, em 18/02/2008 00:31.

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Artigo publicado na coluna Resgate Histórico do Jornal Diário em 01/10/2007.

Um breve comentário histórico sobre a morte no imaginário do século XIX

Posted in Artigos às 1:21 am por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

O teóricos da corrente psicológica chamada Gestalt caracterizam aqueles “flashes” momentâneos quando, após um período de letargia, vem à nossa mente, repentinamente, a solução de um problema, ou uma idéia bastante clara dessa solução – não levando em consideração as inter-relações do problema no passado. Esses lampejos eles deram o nome de “Insght” palavra em inglês tradução de “Einsicht”.

Pois bem, parece-me que foi um desses momentos que me acometeu quando caminhava por entre os jazigos do cemitério Santo Antônio. Afluíam em minha mente pensamentos com relação à morte. A nefasta senhora que vem a ceifar a vida dos viventes. Esta é a visão contemporânea da morte. Mas, nem sempre foi assim. O confronto com a morte manifestou comportamentos diferentes no decorrer da História humana. O notável sociólogo e filósofo francês, Edgar Morin, relata em seu livro “O enigma do Homem”, que os túmulos mais antigos que se conhece são dos homens de Neanderthal, em torno de 40 mil anos. Neles há sinais de ritos fúnebres – vestígios de canibalismo e foram encontrados, junto ao corpo, despojos do falecido – que sugerem a consciência de uma continuidade da “vida” após a morte.

Na obra “A Cidade Antiga”, Fustel de Coulanges argumenta que desde a noite dos tempos os antigos povos indo-europeus acreditavam que a morte era uma passagem para uma segunda existência; no entanto, na visão destes povos antigos, que povoaram a Magna Grécia e Ásia menor, o “espírito” viveria eternamente “encerrado” no subsolo e vagariam eternamente nesse limbo, ou assombrariam os vivos, caso não lhes fossem ofertados alimentos e bebidas. Esse suplício eterno só se aplacaria com as oferendas dos seus descendentes vivos que deveriam oferecer-lhes libações para saciar-lhes os desejos (fome e sede) e pudessem viver felizes debaixo da terra. O primogênito, sempre o homem, presidiria o culto que era uma festividade religiosa particular.

Os filósofos pré-socráticos, assim chamados por precederem a Sócrates (470-399 a.C.), acreditavam no princípio do começo e do fim. Alguns acreditavam que éramos compostos por ínfimas partículas (átomos) que se uniam para formar a todos os seres, no nascimento, e depois retornavam à posição anterior, se separando, era a morte. Todo esse movimento submetido às forças do amor (que unia) e do ódio (que separava).

Os egípcios são, sem dúvida, insuperáveis no culto aos mortos. Erigiram colossais monumentos que chegaram até nós e são conhecidas como as pirâmides.

O cristianismo mudou radicalmente a visão da morte para a humanidade. A doutrina cristã que prega a existência de uma vida eterna após a morte é compartilhada por outras religiões e seitas salvíficas, apesar dessa crença na alma ser anterior ao Cristianismo. O Orfismo, como é conhecido, e acredita-se inspirado no pensamento de Orfeu, já pregava a natureza dual do homem (corpo e alma) entre os séculos VII e VI a.C.. A alma anima o corpo material, empresta-lhe o vigor, a destreza, a inteligência, a consciência. Com o desaparecimento do corpo, através da morte, a alma imortal se liberta e retorna a Deus, à qual pertence, para compartilhar a sua glória. Contudo, há um preço para a imortalidade que é cobrado em vida, através de uma ilibada conduta ditada pelos padrões éticos impostos por essas religiões.

Logo, para se estar tão perto de Deus era preciso morrer; destarte a morte, para as pessoas até o século XIX, revestia-se de uma áurea sagrada. Felizes daqueles que foram compartilhar do gozo eterno e deixaram esse vale de lágrimas. Entretanto, existe a possibilidade de se passar para a eternidade sem ter observado as regras de conduta, mas, dessa forma sofreriam os castigos eternamente. O apego às coisas materiais: dinheiro, luxúria, poder, inveja e os prazeres do sexo, seriam algumas dessas violações. Para se redimir e encontrar a paz eterna, como última vontade, as pessoas pediam para que fossem enterrados em solo sagrado, dentre outros pedidos. Solo sagrado era no interior das igrejas. Principalmente no século XVIII, as pessoas de posses eram enterradas dentro das igrejas, e quanto mais abastadas, mais próximas ficavam, suas tumbas, do altar. Era, ainda, solicitado que se rezassem uma miríade missas por sua alma.

No texto da historiadora Cláudia Rodrigues, “Nossa companheira, a morte”, ela nos conta que a morte era festejada e o funeral era como um espetáculo. Nem mesmo o cheiro dos mortos, enterrados nas igrejas, afastava os vivos dos cultos.

Em nossas pesquisas no acervo documental Mesopotâmia Mineira, do século XIX, confrontamo-nos com esse sentimento a todo o momento. Vários documentos, estão acompanhados de testamentos que são verdadeiras confissões de fé a determinada ordem ou santo. Em um testamento, uma senhora que faleceu no final do século XIX, pede que seja enterrada com o hábito de São Francisco, santo de sua devoção em vida. Além disso, pede que sejam rezadas cinqüenta missas após a missa de corpo presente, e para isso deixava uma quantia em dinheiro para a igreja.

Em outro testamento, o senhor Manoel Teixeira Duarte, morto em 1881, declara (…) que sempre segui a religião Catholica Apostolica Romana e nella pretendo morrer, que sou irmão do santíssimo coração de Jesus e do Santissimo Sacramento. (p. 3 frente) Adiante pede um enterro simples, um caixão com tampa e sobre o peito o escapulário do Santíssimo Sacramento. Que seja rezado missa de corpo presente e oito em meses seguidos.

O mais interessante, no entanto, é um discurso de defesa encontrado no documento: 6022, maço 65, “Autuação de arbitramento” do ano de 1881. No discurso, em defesa dos réus, que estavam sendo processados por negarem-se a pagar uma dívida do falecido, que os havia constituído como herdeiros; em determinado momento, o advogado refere-se à morte através da palavra “reinado”: “(…) como fosse o de 8 de 7bro [sic] de 1880 por ocazião do reinado”(p. 16 frente). O termo “reinado” empregado, até mesmo no jargão formal, pode expressar, na época, que aquele homem havia passado na terra e agora era como se tivesse adquirido as qualidades espirituais que somente os seres divinos poderiam possuir.

Através dos documentos e obras citadas, a visão da morte se transforma a medida que mudam-se o contexto, a mentalidade e a forma de se relacionar.

Hoje em dia ocorre o que Max Weber (1864-1920) chama de “desencantamento do mundo”; a técnica e a ciência tomaram o lugar das coisas místicas superando-as e pôs abaixo um mundo de medos, de submissão no qual o homem estava ligado à sua verdadeira natureza.

(*) Imagem: Caixões em um cemitério. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Morte, 18/02/2008, 00:12.

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Artigo publicado, coluna Resgate histórico no Jornal Diário em 08/10/2007.

fevereiro 5, 2008

Homenagem: Centenário de óbito de Machado de Assis

Posted in Meus textos às 7:51 pm por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

Não gosto muito de alimentar, criar ou render-me aos mitos. Os mitos, ao meu ver, são como ervas daninhas que sufocam a autonomia do Homem, enquanto ser pensante. Como disse Rubem Alves, o mito inibe o pensamento e induz o comportamento.

No entanto, alguns escritores exercem certa influência sobre nosso pensamento e, suas idéias permanecem latentes e delineiam nossa mentalidade. Esse é o preço por sermos seres históricos, não há como atingirmos a real neutralidade, logo, somos um pouco de cada Homem e Mulher que nos antecederam. Essa condição, ao mesmo tempo que se apresenta frustante é fascinante. Frustante, enquanto condicionamento, limite para o nosso pensamento e fascinante por revelar que somos um projeto inacabado, onde cada um que passa acrescenta um tijolo na grande muralha do pensamento humano. E por ser inacabado estaremos sempre a procura do desfecho de nossa existência, porém, espero, sem conseguir alcançá-lo.

Destarte, as idéias de alguns Homens enraizam em nosso ser fornecendo-nos o combustível para a grande fornalha do conhecimento. Um desses Homens, posso dizer seguramente, foi Joaquim Maria Machado de Assis, nascido no Rio de Janeiro em 1839.

Não sou especialista em literatura, muito menos em Machado de Assis, nosso preclaro literato, no entanto, afirmo com segurança que Homens como ele alimentam nosso orgulho de sermos brasileiros. Nesse ano, de 2008, que celebramos o centenário de sua morte, gostaria de destacar, aqui no meu blog, um pouco que aprendi com a leitura de algumas de suas obras.

Machado de Assis, nasceu a 21 de junho de 1839, falecendo em 1908 na cidade do Rio de Janeiro, transformou-se em um dos romancistas brasileiros de maior projeção. Seus trabalhos (textos), de acordo com artigos da Folha de S. Paulo, são uma fonte inesgotável de material para os críticos. Uma grande quantidade de teses estão sendo elaboradas sob o olhar dos estudiosos da obra de Machado de Assis e, revelando a presença de traços, ainda que diluídos, de uma crítica à sociedade carioca do século XIX.

Fazendo uma analogia com escritores iluministas do século XVII, tendo em vista que as idéias iluministas manifestavam-se intensamente no século XIX, embora, na guisa do positivismo, poderia classificar Machado de Assis como um Rousseau, considerando-se que sua obra não se amolda aos movimentos literários em volga, na época. Poderia, até mesmo, compará-lo a um Freud da literatura brasileira. Obviamente que baseio minhas considerações na reportagem da Folha de S. Paulo, publicada no caderno “Mais!”. Contudo, baseio também em minha percepção como historiador e, através de uma de suas obras que considero a principal: “Memórias póstumas de Brás Cubas”, escrita em 1881. Em Memórias póstumas de Brás Cubas, segundo a minha percepção, Machado de Assis trabalha bem a questão da moral e da ética que permeia a mentalidade dos indivíduos de uma época, inclusive apresentando-nos questionamentos sobre as construções ideológicas em relação aos sentimentos e as pulsões humanas que norteiam as atitudes dos Homens do século XIX. Poderia afirmar que o texto em epígrafe aproxima-se de um tratado antropológico do Homem urbano, na sociedade do Rio de Janeiro, no século XIX.

Memórias póstumas de Brás Cubas, marcou profundamente minha juventude, pois a li por volta de 1984, no auge dos meus 15 anos e dentre as passagens que considero como destacáveis e de cunho antropológico, está o último parágrafo, onde Machado de Assis, através do seu personagem “Brás Cubas”, com todo o pessimismo de um Schopenhauer, analisa sua existência nesse mundo fazendo um balanço de suas ações.

O acaso determinou o contrário; e ai vos ficais eternamente hipocondríacos.
Este último capítulo é todo de negativas. Não alcancei a celebridade do emplasto,
não fui ministro, não fui califa, não conheci o casamento. Verdade é que, ao lado
dessas faltas, coube-me a boa fortuna de não comprar o pão com o suor do meu
rosto. Mais; não padeci a morte de Dona Plácida, nem a semidemência do Quincas
Borba. Somadas umas coisas e outras, qualquer pessoa imaginará que não houve
míngua nem sobra, e conseguintemente que sai quite com a vida. E imaginará mal;
porque ao chegar a este outro lado do mistério, achei-me com um pequeno saldo,
que é a derradeira negativa deste capítulo de negativas: — Não tive filhos, não
transmitia nenhuma criatura o legado da nossa miséria.(p. 131)

Outro momento interessante da obra:

— Ah! brejeiro! Contanto que não te deixes ficar aí inútil, obscuro, e triste; não
gastei dinheiro, cuidados, empenhos, para te não ver brilhar, como deves, e te
convém, e a todos nós; é preciso continuar o nosso nome, continuá-lo e ilustrá-lo
ainda mais. Olha, estou com sessenta anos, mas se fosse necessário começar vidanova, começava sem hesitar um só minuto. Teme a obscuridade, Brás; foge do que é ínfimo. Olha que os homens valem por diferentes modos, e que o mais seguro de todos é valer pela opinião dos outros homens. Não estragues as vantagens da tua posição, os teus meios…(p.38)

Uma análise ao estilo Weberiano:

Que Escapou a Aristóteles

Outra coisa que também me parece metafísica é isto:

— Dá-se movimento a uma bola, por exemplo; rola esta, encontra outra bola, transmite-lhe o impulso, e eis a segunda bola a rolar como a primeira rolou. Suponhamos que a primeira bola se chama… Marcela, – é uma simples suposição; a segunda, Brás Cubas; – a terceira, Virgília. Temos que Marcela, recebendo um piparote do passado rolou até tocar em Brás Cubas, – o qual, cedendo à força impulsiva, entrou a rolar também até esbarrar em Virgília, que não tinha nada com a primeira bola; e eis aí como, pela simples transmissão de uma força, se tocam os extremos sociais, e se estabelece uma coisa que poderemos chamar – solidariedade do aborrecimento humano. Como é que este capítulo escapou a Aristóteles?(p. 49)

Mais um trecho:

Mandei a carta e almocei tranqüilo, posso até dizer que jubiloso. Minha consciência valsara tanto na véspera, que chegou a ficar sufocada, sem respiração; mas a restituição da meia dobra foi uma janela que se abriu para o outro lado da moral; entrou uma onda de ar puro, e a pobre dama respirou à larga. Ventilai as consciências! não vos digo mais nada. Todavia, despido de quaisquer outras circunstâncias, o meu ato era bonito, porque exprimia um justo escrúpulo, um sentimento de alma delicada. Era o que me dizia a minha dama interior, com um modo austero e meigo a um tempo; é o que ela me dizia, reclinada ao peitoril da janela aberta.

— Fizeste bem, Cubas; andaste perfeitamente. Este ar não é só puro, é balsâmico, é uma transpiração dos eternos jardins. Queres ver o que fizeste, Cubas? E a boa dama sacou um espelho e abriu-me diante dos olhos. Vi, claramente vista, a meia dobra da véspera, redonda, brilhante, nítida, multiplicando-se por si mesma,

—ser dez

— depois trinta

— depois quinhentas,

— exprimindo assim o benefício que me daria na vida e na morte o simples ato da restituição. E eu espraiava todo o meu ser na contemplação daquele ato, revia-me nele, achava-me bom, talvez grande. Uma simples moeda, hem? Vejam o que é ter valsado um pouquinho mais. Assim, eu, Brás Cubas, descobri uma lei sublime, a lei da equivalência das janelas, e estabeleci que o modo de compensar uma janela fechada é abrir outra, a fim de que a moral possa arejar continuamente a consciência. Talvez não entendas o que ai fica; talvez queiras uma coisa mais concreta, um embrulho, por exemplo, um embrulho misterioso. Pois toma lá o embrulho misterioso.(p. 56)

Finalmente, estou satisfeito de ter escrito um pouco sobre a minha visão da obra de Machado de Assis, um escritor que marcou gerações de jovens de Pará de Minas e, continuará, seguramente, influenciando outros jovens que virão. Esse é o legado deste grande escritor.

Para Mais informações:

Academia de Letras: http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=659&sid=240

Wikipédia:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Machado_de_Assis

Site sobre Machado de Assis.
http://www.machadodeassis.net/

A imagem de Machado de Assis, pode ser encontrada no site da Academia de Letras:
http://www.academia.org.br/abl/media/machado_de_assis.gif disponível em: 05/01/2008
____________
Referências:
Caderno Mais!. Folha de S. Paulo, publicado em 27/01/2008.

Machado de Assis. Memórias póstumas de Brás Cubas. Site: http://www.dominiopublico.gov.br. Disponível em: http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_obra=16953 05/02/2008.