outubro 28, 2008

Obrigado por tudo.

Posted in Textos Cínthia às 12:26 am por espacointuicao

Por Cínthia Duarte Melo(*)

Deus, obrigado pelas flores
e pelas cores.
Obrigado por tudo
que há nesse mundo.
Obrigado pela felicidade
que há na humanidade,
pela natureza 
e sua beleza
pela minha vida 
que é querida
O Sol,
o caracol,
a borboleta. 
É diferente de tudo que aqui está.
É tudo lindo
e muito bom.
Obrigado por tudo!

(*) Cínthia Duarte Melo, 9 anos de idade.
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outubro 27, 2008

Machado de Assis, o amor e a modernidade.

Posted in Meus textos às 11:15 pm por espacointuicao
























Joandre Oliveira Melo
Machado de Assis(1839-1908), o Goethe brasileiro, foi um homem que até hoje enche nossos corações de orgulho por sermos brasileiros. O homem foi-se com o tempo, porém sua idéia, sua sensibilidade e aguda percepção do mundo e dos porões do Ser Humano, permanecem e permanecerão por muitos séculos. Ainda que, sejamos destituídos de nossa humanidade, com a crescente (des)umanização do Homem e sua transformação em apenas uma ranhura na incessante engrenagem do mercado, pervetendo os desejos mais simples e naturais da natureza humana, porpondo-lhe a sofisticação de suas necessidades.
O poder midiático corrompendo a áurea era româtica cultivada pelo autor, substituindo-a por um estilo de vida onde primam os desejos individuais. O erotismo exacerbado como forma satisfação pessoal, de liberação da mulher e de auto-afirmação do homem. Ou, por outro lado, a vulgarização da relação genital homem-mulher. A depreciação da imagem da mulher rebaixando-a a apenas objetos sexuais ou a “cachorras”.
A substituição do companherismo e da cumplicidade, pela parceria. A racionalização desmitificadora dos relacionamentos inaguram uma nova ética: a barganha. Contra esse estado de coisas Machado de Assis, em sua obra, Memorial de Aires, evoca a memória de sua amada, carolina, como Dante antes o fizera com sua musa Beatriz, como a “liga” capaz de “cimentar” a alma do homem que parece de pedras soltas:
Queriam-se, sempre se quiseram muito, apesar dos ciúmes que tinham um do outro, ou por isso mesmo. (…) os tempos amargos em que, ajustado o casamento, perdeu o emprego. (… e) teve de procurar outro; a demora não foi grande, mas o novo lugar não lhe permitiu casar logo (…) Ora, a alma dele era de pedras soltas; a fortaleza da noiva foi o cimento e a cal que as uniram naqueles dias de crise. (Machado de Assis apud José Sarney, p. A2: 2008)
Pelas palavras acima, Machado de Assis transmite-nos a força do amor daqueles dias; o noivo, simboliza o homem – baseado nele próprio – e a noiva, a fortaleza do noivo, sua cúmplice e companheira, suporte nas horas difíceis, lenitivo nos dias de crise,conforto da alma do Homem, argamassa que funde sua alma – figura eternizada de Carolina, sua amada.
Após as belas palavras, tão bem selecionadas do texto de Machado de Assis pelo ilustre sr. José Sarney, resgatam de nossa alma a silhueta do amor daquela época, arrancada da intimidade do homem oitocentista.
Parece-nos um sentimento tão nobre que dá vontade de sentí-lo novamente, de resgater aqueles dias de romantismo e profundos sentimentos, enquanto somos dilacerados pela indiferença e individualismo da modernidade, testemunhas de tragédias cruéis, movidas por sentimentos tão mórbidos como o sequestro e morte da garota Eloá, em São Paulo.
ao mesmo tempo que escrevo esse texto, desejo relembrar a passagem deste grande homem que um dia viveu entre nós. O que não daríamos para que todos pudessem ler e entender Machado de Assis.
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Referências
SARNEY, José. Machado e Carolina. artigo publicado na Folha de S. Paulo, seção Opinião, de 24 de outubro de 2008. São Paulo: Folha de S. Paulo – 2008. p. A2.

outubro 23, 2008

Previdência Oficial e Fator Previdenciário…

Posted in Meus textos às 9:55 pm por espacointuicao


Por Joandre Oliveira Melo
Advertência: O texto abaixo, escrito por mim, não está baseado em nenhum outro texto ou artigo de especialistas em Previdência. Portanto não tem um referencial teórico, sendo uma interpretação livre da situação atual da Previdência Oficial e o fim do Fator Previdenciário. Além disso, apresento, dentro da minha limitada compreensão, algumas sugestões ao processo Previdenciário brasileiro. Sendo assim, não tem base científica e pode incorrer em erros.

Privatizar a Previdência Oficial não é a solução. Pelo menos sem antes tentar uma constelação de ações que podem torná-la viável e assegurar seu futuro. Essa medida afetará inexpugnavelmente a classe mais pobre, pois, na minha opinião aumentaria substancialmente o valor da contribuição. E como toda entidade privada tende a gerar lucros, atenderia melhor àqueles que pagassem cotas maiores, ainda que fosse regulada. Vejam o exemplo dos planos de saúde privados.

Pode sair o fator previdenciário. Para contrabalançar existem inúmeras alternativas:

– aumentar o tempo de contribuição de 35 para 40 anos homem e 30 para 35 mulheres, sairia mais barato para nós do que submetermos ao fato previdenciário;

– Buscar a fiscalização ostensiva para recaptar o dinheiro que “vaza” da previdência;

– Uma propaganda maciça, com incentivos reais para que se pague a Previdência corretamente;

– Incentivar os contribuintes a aumentarem sua contribuição para que se aposentem melhor;

– Incentivar aqueles que não contribuem a fazê-lo de forma sistemática;

– Incentivar de forma sistemática e criteriosa a regularização das dívidas das empresas com a Previdência;

– Recursos: podem ser conseguidos da arrecadação do IR, TAXAÇÃO DE GRANDES FORTUNAS, reservas de dólares que socorrem os mercados (leia-se: os ricos), investimentos privados em pequenas proporções;

– Incremento e modernização dos serviços e produtos oferecidos pela previdência oficial;

– Fim das aposentadorias privilegiadas, salvo aquelas em que os contribuintes corram evidente perigo de agressão a sua integridade física e risco de morte. Todos são iguais perante a lei;

– Todos devem contribuir para que possam usufruir dos benefícios, inclusive aumentando o tempo mínimo de contribuição para aposentar-se por idade, de 15 para 20 anos.

– O pecúlio ao produtor rural não deve estar vinculado aos benefícios da Previdência; se queremos ajudá-los será necessário outro fundo para suportar os custos. Ou que eles contribuam com a Previdência Oficial pelo menos por um tempo mínimo.

As medidas acima, dentre outras mais de natureza operacional poderiam render-nos aposentadorias mais dignas, por mais tempo sem o famigerado fator previdenciário.

Além disso a Previdência Oficial é um eficiente mecanismo de distribuição de renda e o Estado tem de injetar recursos, sim, na Previdência é seu dever.

Pessoal o que vocês acham?

outubro 16, 2008

SEMANA DA EDUCAÇÃO

Posted in Divulgação às 1:02 am por espacointuicao

outubro 13, 2008

Vestibular FAPAM 2009.

Posted in Divulgação às 1:21 am por espacointuicao


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outubro 6, 2008

A crise…

Posted in Artigos, Artigos com introdução às 11:04 pm por espacointuicao

A crise financeira agrava-se dia após dia. A recomendação dos Keynesianistas não a conteve. Nuvens negras acenam no horizonte, logo teremos a repercursão no que os economistas chamam de economia real.

Fala-se no fim de Wall Street; a bolsa de NY e o índice Dow Jones despencam, a Bovespa despenca mais de 15%. Para acalmar os ânimos, hoje 06 de outubro 2008, são feitas paralisações nas negociações. O Capital cobra caro, quando exagera a ganância dos homens.

Como Benjamin Franklin, eu não consigo entender como o dinheiro pode render dinheiro. A especulação é a semente do mal capitalista. Só o trabalho, contínuo, ardúo, comunitário pode gerar riquezas. Essa “raça” de pessoas que especulam, só trazem o que há de pior na natureza humana

A situação é realmente preocupante, os fundos de pensão e previdências privadas, na minha opinião, sofrerão em breve, na carne… Em seguida, os outros segmentos… Poderá haver um comprometimento até nas negociações salariais do final de ano…

Será que mais uma vez o “comunismo” salvará o mundo…. ATÉ QUANDO SUSTENTAREMOS UM SISTEMA ONDE SOCIALIZAM-SE AS PERDAS E PRIVATIZAM-SE OS LUCROS???

Após escrever as linhas acima, na minha leitura diária do Jornal Folha de S. Paulo, deparei-me com o artigo que, incrivelmente, alinha-se ao meu pensamento.

Abaixo, reproduzo, na íntegra, o artigo do Frei Betto: “O abalo dos muros”

O abalo dos muros

FREI BETTO


O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres?

NO PRÓXIMO ano, completam-se 20 anos da queda do Muro de Berlim, símbolo da bipolaridade do mundo dividido em dois sistemas: capitalista e socialista. Agora assistimos ao declínio de Wall Street (rua do Muro), na qual se concentram as sedes dos maiores bancos e instituições financeiras.

O muro que dá nome à rua de Nova York foi erguido pelos holandeses em 1652 e derrubado pelos ingleses em 1699. Nova Amsterdam deu lugar a Nova York.

O apocalipse ideológico no Leste Europeu, jamais previsto pelos analistas, fortaleceu a idéia de que fora do capitalismo não há salvação. Agora, a crise do sistema financeiro derruba o dogma da imaculada concepção do livre mercado como única panacéia para o bom andamento da economia.

Ainda não é o fim do capitalismo, mas talvez seja a agonia do caráter neoliberal que hipertrofiou o sistema financeiro. Acumular fortunas tornou-se mais importante que produzir bens e serviços. A bolha especulativa inflou e, súbito, estourou.

Repete-se, contudo, a velha receita: após privatizar os ganhos, o sistema socializa os prejuízos. Desmorona a cantilena do “menos Estado e mais iniciativa privada”. Na hora da crise, apela-se ao Estado como bóia de salvamento na forma de US$ 700 bilhões (5% do PIB dos EUA ou o custo de todo o petróleo consumido em um ano naquele país) a serem injetados para anabolizar o sistema financeiro.

O programa Bolsa-Fartura de Bush reúne quantia suficiente para erradicar a fome no mundo. Mas quem se preocupa com os pobres? Devido ao aumento dos preços dos alimentos, nos últimos 12 meses, o número de famintos crônicos subiu de 854 milhões para 950 milhões, segundo Jacques Diouf, diretor-geral da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação).

Quem pagará a fatura do Proer usamericano? A resposta é óbvia: o contribuinte. Prevê-se o desemprego imediato de 11 milhões de pessoas vinculadas ao mercado de capitais e à construção civil. Os fundos de pensão, descapitalizados, não terão como honrar os direitos de milhões de aposentados, sobretudo de quem investiu em previdência privada.

A restrição do crédito tende a inibir a produção e o consumo. Os bancos de investimentos colocam as barbas de molho. Os impostos sofrerão aumentos. O mercado ficará sob regime de liberdade vigiada: vale agora o modelo chinês de controle político da economia, e não mais o controle da política pela economia, como ocorre no neoliberalismo.

Em 1967, J.K. Galbraith chamava a atenção para a crise do caráter industrial do capitalismo. Nomes como Ford, Rockefeller, Carnegie ou Guggenheim, exemplos de empreendedores, desapareciam do cenário econômico para dar lugar à ampla rede de acionistas anônimos. O valor da empresa deslocava-se do parque industrial para a Bolsa de Valores.

Na década seguinte, Daniel Bell alertaria para a íntima associação entre informação e especulação e apontaria as contradições culturais do capitalismo: o ascetismo (= acumulação) em choque com o estímulo consumista; os valores da modernidade destronados pelo caráter iconoclasta das inovações científicas e tecnológicas; lei e ética em antagonismo quanto mais o mercado se arvora em árbitro das relações econômicas e sociais.

Se a queda do Muro de Berlim trouxe ao Leste Europeu mais liberdade e menos justiça, introduzindo desigualdades gritantes, o abalo de Wall Street obriga o capitalismo a se repensar. O cassino global torna o mundo mais feliz? Óbvio que não. O fracasso do socialismo real significa vitória do capitalismo virtual (real para apenas um terço da humanidade)?
Também não.

Não se mede o fracasso do capitalismo por suas crises financeiras, e sim pela exclusão -de acesso a bens essenciais de consumo e direitos de cidadania, como alimentação, saúde e educação- de dois terços da humanidade. São 4 bilhões de pessoas que, segundo a ONU, vivem entre a miséria e a pobreza, com renda diária inferior a US$ 2.

Há, sim, que buscar, com urgência, um outro mundo possível, economicamente justo, politicamente democrático e ecologicamente sustentável.


CARLOS ALBERTO LIBÂNIO CHRISTO , o Frei Betto, 64, frade dominicano e escritor, é autor de “Calendário do Poder” (Rocco), entre outros livros. Foi assessor especial da Presidência da República (2003-2004).

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Referências:

Artigo publicado na Folha de S. Paulo, em 06 de outubro de 2008, na coluna Tendências/Debates, Opinião, pag. A3. Autor: Carlos Alberto Libânio Christo – Frei Betto.

A sociedade Afluente.

Posted in Uncategorized às 2:22 am por espacointuicao

Através dos séculos, diante de poucas questões a consciência humana foi mais tolerante e o cérebro do homais talentoso do ue em justificar por que os ricos e afortunados devem viver em amena coexistência com os pobres. Aqueles sobre os quais a fortuna sorri – ou assim se diz – seriam os beneficiários naturais de sua própria inteligência superior, da sua diligência, da sua presciência, da sua energia e vigor, do seu tom moral – ou ainda mais dubiamente, ndo fato de terem tido antepassados mais capazes, e portanto mais ricos, e de haverem herdado suas qualidades. Os destituídos seriam vítimas naturais da sua própria preguiça e ociosidade, displicência e irresponsabilidade, procriação incontrolada (a grande justificativa de [David] Ricardo, de Malthus e da economia clássica) ou das suas preferências por um determinado estilo de vida, incluindo uma predileção por dormir em baixo de pontes ou nos gradis das calçadas, como afirmou Ronald Reagan. Ou talvez, por outros motivos, eles seriam, como na frase imortal de George Bernanard Shaw, aqueles “desmerecidamente pobres”. No nível mais elevado da racionalização – o de Herbert Spencer e seus discípulos americanos do século passado, os darwinistas sociais – a pobreza é a tendência socialmente terapêutica que elimina os incapazes e os inaptos. Um instinto pelo darwinismo social ainda paira sobre os nossos tempos, em amistosa sociedade com a teologia fundamentalista que sustenta que a propriedade é a recompensa natural de Deus àqueles que são dignos e merecedores. Os pobres, por sua vez, devem se pacificar sabendo que constituema Sua derradeira preferência, porque foram criados por Ele em tão grande número e porque, ao contrário dos ricos, passarão facilmente ao outro mundo para desfrutarem, junto com os humildes, da plena e cabal compensação pelas misérias desta existência. Os textos e sermões relevantes que sustentam esta noção são facilmente obtíveis dos religiosos televisivos e da Maioria Moral.

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Referência Bibliográficas.

GRALBRAITH, John Kennth. A sociedade afluente revista. In.: A sociedade afluente.Trad. Carlos Afonso Malferrari, São Paulo:Pioneira, 1987. p. XXIV-XXV.