junho 19, 2009

Aos meus alunos com carinho…

Posted in Meus textos, Meus textos; Homenagem às 12:39 am por espacointuicao

O que escrevo abaixo não poderia retribuir a homenagem a mim prestada por meus alunos de Sociologia da Escola Estadual Zico Ferreira, em Torneiros, ao fim do meu período em substituição à professora efetiva. Seria como comentar um clássico de Goethe ou um verso de Homero. No entanto, atrevo-me a grafar as pequenas notas que se podem ler abaixo:


Quando Cheguei…


Quando cheguei, após minha recente conclusão do curso de graduação em História, pensei que encontraria apenas a argila estéril; poços rasos encharcados por uma água salobra e pusilânime. Destarte, era o estereótipo da juventude que trazia na minha mente preconceituosa.


Porém, meus queridos alunos mostraram-me que, por baixo de dura e estéril camada de argila e da terra apodrecida pelas águas que acumulavam em seus sulcos, sem poder penetrar terra adentro, a qual imaginara, deitava uma terra fértil e, ali, sementes tão tenras e saudáveis em doce hibernação, somente esperando que a argila fosse revirada e os charcos drenados, para se abrirem ao calor do sol e enraizarem-se frenética e fortemente ao seio daquele solo acolhedor; nutrindo-se pela dádiva da natureza, espontaneamente doada ao regozijo dos homens e mulheres.


Eram sementinhas com desejos latentes, sonhos joviais e uma irresistível e maravilhosa vontade de viver… Eram como lindas pérolas escondidas em ostras feias… como os diamantes, que vêm da lama…


O meu trabalho seria apenas o de remover e revirar a camada estéril e expor ao mundo aquelas sementes, como outros fizeram comigo, e outros antes destes e antes, durante todo o meu período de vida, até os dias de hoje… Logo vi que as sementes já sentiam a
ponta do arado cortando a argila dura e, antes mesmo que toda a camada sem vida fosse revolvida, já irromperam em um afã maravilhoso! Ainda frágeis brotinhos; porém decididos, a enverdecer a terra sem cor, em riste contra o céu


Daí em diante, meu trabalho se tornou prazer e aprendizado; bastou-me ser como a chuva benfazeja a regar aqueles brotinhos. E toda a terra estéril, logo se tornou uma linda planície verdejante, exalando os mais deliciosos perfumes; uma alegria jovial e uma paz que reinavam.


Assim, aquelas sementes me ensinaram que não basta apenas o sulco do arado, a chuva benfazeja ou o calor envolvente da terra ao sol… basta apenas que a semente seja boa e esteja tenra e saudável para vencer as barreiras que lhe serão impostas. E como eram boas as sementes que encontrei…


Jamais me esquecerei das tenras sementinhas, cheias de vida, repletas de esperança; dos seus sorrisos espontâneos, suas tagarelices incessantes e aquela inquietação, típica dos jovens, que tem a vida inteira pela frente e não se contentam em ser, apenas, testemunhas da História.


Na Escola Estadual Zico Ferreira, lecionei pela primeira vez: lá me ensinaram a ser professor!

Joandre Oliveira Melo, 12 de junho de 2009.

junho 4, 2009

Pós-Graduação na FAPAM

Posted in Divulgação às 8:52 pm por espacointuicao