novembro 4, 2009

Morre Claude Levy-Strauss aos cem anos

Posted in Meus textos; Homenagem às 1:23 am por espacointuicao

Morre aos cem anos um dos mais importantes antropólogos do século XX.

(…)O antropólogo e filósofo franco-belga Claude Lévi-Strauss, tentou, ao longo de mais de 80 anos de vida profissional, jogar luz sobre a relação do ser humano com o seu ambiente e com seus pares, em obras essenciais para as ciências sociais, como Tristes trópicos, O cru e o cozido e a série Mitológicas. Um dos maiores pensadores do século 20, Lévi-Strauss morreu na madrugada de sábado para domingo, de ataque cardíaco, em seu apartamento em Paris. A notícia foi dada terça-feira pela editora Plon, 25 dias antes de seu aniversário de 101 anos. (…)

A integra da notícia acima está postada no Jornal do Brasil. É realmente uma grande perda para a comunidade científica e para o pensamento ocidental.

Há algum tempo atrás escrevi um pequeno post com algumas informações sobre o longévo escritor. Para ler novamente:

Un siècle avec Claude Lévy-Strauss

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setembro 17, 2009

Mais dois, no Paraíso das Letras…

Posted in Meus textos; Homenagem às 1:07 am por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

No último sábado, doze de setembro de 2009, em uma tarde, que apesar de inverno, trazia consigo o acolhedor calor da primavera que se anunciava, tomaram posse nas cadeiras de número um (01) o Prof. Dr. Flávio Marcus da Silva e cadeira doze (12) o professor e ator José Roberto Pereira. Tendo como patronos: Robson Correia de Almeida egrégio escritor e historiador de nossa terra e o titã da literatura Mineira Guimarães Rosa, respectivamente. Ambas, as cadeiras, ocupadas, anteriormente, pelos falecidos acadêmicos: Dirceu Mendonça e Sylvio Lage Pinto.

A natureza já pressentindo o perscrutar da primavera – que chegará dentro de alguns dias – metamorfoseava-se em cores e cheiros. Os pássaros já gorjeavam doces melodias; os sons eram como as flautas dos sátiros, encantados pelo desabrochar da natureza, em busca das ninfas do campo.

Neste cenário Dionisíaco ocorreu o evento de posse dos felizardos escritores às cadeiras da Academia de Letras de Pará de Minas.

Com um belo discurso o acadêmico Prof. Geraldo Fernandes Fonte Boa apresentou aos convidados o Prof. Fávio Marcus da Silva e a Sra. Terezinha Pereira introduziu o Prof. José Roberto Pereira.

Discursaram os novos acadêmicos. Cada um a sua maneira emocionou os ouvintes que os aplaudiram efusivamente. Durante suas palavras, nem mesmo os neo-acadêmicos escaparam da emoção que os acometia.

José Roberto Pereira quebrou o protocolo encenando um conto de seu patrono. E soube transpor com maestria, através das cenas, as palavras do seu patrono, o preclaro escritor Guimarães Rosa.

O Prof. Flávio Marcus em seu sóbrio discurso soube, como ninguém, revelar o ofício do escritor. O escritor, completa o neo-academico em uma metáfora fantástica, deve dilacerar o seu corpo até sangrar abundantemente. Esse sangue que jorra de dentro, pela dilaceração, demonstra o golpe lancinante que aflorará em belíssimos arranjos de idéias cuidadosamente postas em uma folha de papel. Lá, no papel, deixará impressa sua digital; a digital do seu espírito único, singular, inquieto… E o imortalizará.

junho 19, 2009

Aos meus alunos com carinho…

Posted in Meus textos, Meus textos; Homenagem às 12:39 am por espacointuicao

O que escrevo abaixo não poderia retribuir a homenagem a mim prestada por meus alunos de Sociologia da Escola Estadual Zico Ferreira, em Torneiros, ao fim do meu período em substituição à professora efetiva. Seria como comentar um clássico de Goethe ou um verso de Homero. No entanto, atrevo-me a grafar as pequenas notas que se podem ler abaixo:


Quando Cheguei…


Quando cheguei, após minha recente conclusão do curso de graduação em História, pensei que encontraria apenas a argila estéril; poços rasos encharcados por uma água salobra e pusilânime. Destarte, era o estereótipo da juventude que trazia na minha mente preconceituosa.


Porém, meus queridos alunos mostraram-me que, por baixo de dura e estéril camada de argila e da terra apodrecida pelas águas que acumulavam em seus sulcos, sem poder penetrar terra adentro, a qual imaginara, deitava uma terra fértil e, ali, sementes tão tenras e saudáveis em doce hibernação, somente esperando que a argila fosse revirada e os charcos drenados, para se abrirem ao calor do sol e enraizarem-se frenética e fortemente ao seio daquele solo acolhedor; nutrindo-se pela dádiva da natureza, espontaneamente doada ao regozijo dos homens e mulheres.


Eram sementinhas com desejos latentes, sonhos joviais e uma irresistível e maravilhosa vontade de viver… Eram como lindas pérolas escondidas em ostras feias… como os diamantes, que vêm da lama…


O meu trabalho seria apenas o de remover e revirar a camada estéril e expor ao mundo aquelas sementes, como outros fizeram comigo, e outros antes destes e antes, durante todo o meu período de vida, até os dias de hoje… Logo vi que as sementes já sentiam a
ponta do arado cortando a argila dura e, antes mesmo que toda a camada sem vida fosse revolvida, já irromperam em um afã maravilhoso! Ainda frágeis brotinhos; porém decididos, a enverdecer a terra sem cor, em riste contra o céu


Daí em diante, meu trabalho se tornou prazer e aprendizado; bastou-me ser como a chuva benfazeja a regar aqueles brotinhos. E toda a terra estéril, logo se tornou uma linda planície verdejante, exalando os mais deliciosos perfumes; uma alegria jovial e uma paz que reinavam.


Assim, aquelas sementes me ensinaram que não basta apenas o sulco do arado, a chuva benfazeja ou o calor envolvente da terra ao sol… basta apenas que a semente seja boa e esteja tenra e saudável para vencer as barreiras que lhe serão impostas. E como eram boas as sementes que encontrei…


Jamais me esquecerei das tenras sementinhas, cheias de vida, repletas de esperança; dos seus sorrisos espontâneos, suas tagarelices incessantes e aquela inquietação, típica dos jovens, que tem a vida inteira pela frente e não se contentam em ser, apenas, testemunhas da História.


Na Escola Estadual Zico Ferreira, lecionei pela primeira vez: lá me ensinaram a ser professor!

Joandre Oliveira Melo, 12 de junho de 2009.

fevereiro 24, 2009

Vincent

Posted in Músicas favoritas, Meus textos; Homenagem às 2:12 am por espacointuicao

Advertência: O texto abaixo não está baseado em fontes teóricas, sendo apenas comentários livres sobre o grande pintor holandês Vincent Willem Van Gogh. Os dados podem conter erros ou aproximações, além disso não tenho nenhuma formação para avaliar obras de arte. É um texto extremamente simplista na abordagem das obras do grande Pintor Holandês.
Hoje ouvindo a música Vincent, cantada por Don McLean e baseada na obra do grande pintor holandês Vincent Willem Van Gogh, “Starry night” (noite estrelada), observando a beleza da letra, resolvi escrever algumas linhas sobre o grande Van Gogh.
De cordo com as pesquisas na Internet o pintor nasceu na Holanda em 1853 e faleceu na França, através de uma tentativa bem sucedida de autoextermínio, em 1890.
O que pude observar nas imagens de suas obras, disponíveis na Internt, denotam grande sofrimento interior. Uma eterna angústia, talvez desencadeada por problemas fisiológicos ou psíquicos. Todavia, o seu grande gênio poderia, nas suas “entranhas” produzir uma imagem de um mundo que não nos seja possível penetrar. Um sofrimento lancinante deve tê-lo acompanhado durante anos de sua existência. A sua tendência para as cores fortes às quais atribuia significados, a sua visão sombria das paisagens, às vezes chocante, pode ser uma tentativa de externar a angústia de uma visão altamente sensível dos mundo. O riscos tracejados, aos quais atribuo, por minha conta, extremo sentimento de ansiedade, culminando em um certo desejo de abreviar o fim do trabalho, parece significar as tempestades como percebia os acontecimentos.
Oh! como sofreu Vincent até o momento em que se libertou desta existência…
Abaixo, apresento-lhes a letra da música “Vincent”, por Don McLean. Nova advertência: para a letra da música, que foi digitada livremente, por isso, podem haver errros grosseiros de tradução ou digitação. A canção em epígrafe foi composta sob um olhar da obra “starry night”, de Vincent van gogh. Os trechos reforçados (em negrito) são as partes que mais gosto na música. Não os traduzi, pois, acho que poemas tem uma caraterística subjetiva muito grande. Destarte, não saberia expressar o que o autor gostaria de dizer-nos.
Vincent
(por Don McLean)

Starry starry night.

Paint your pallete blue and grey.
Look out on the summer’s day,

With eyes that know the darkness in my soul.
Shadows on the hills.
Sketch the trees in daffodills,
Catch the breeze and with the chills,
In colors on the snowy linen land.

Now I understand; what you tried to say, to me.
How you suffered for you sanity
and how you tried to set them free
They would not listen
They did not know how.
Perhaps they listen now.

Starry, starry night.
Flaming flowers that brightly blaze,
swirling clouds in violet haze,
reflecting Vincent’s eyes in China blue.
Color changing in hue,
morning fills the amber grain
weathered faces lined in pain are soothed beneath
the artists loving hand

Now, I undestand; what you tried to say, to me.
How you suferred for your sanity
and how you tried to set them free
they would not listen
they did not know how.
Perhaps, they listen now.
For they could not love you,
but still your love was true,
and when no hope was left in sight
on that.
Starry, starry night.
You took your life as lovers often do.
But, I could’ve told you Vincent:
this world was never meant for one as beautiful as you.

Starry, starry night.
Portraits hung in empty halls,
frameless heads a nameless walls,
with eyes that watch the world and cannot forget.
Like the strangers that you’ve met.
The ragged men in ragged clothes,
the silver thorn of bloody rose
Lie crushed and broken on the virgin snow.

Now, I think I know.
What you tried to say to me.
and how you suffered for your sanity
and how you tried to set them free.
They would not listen, they’re not listening still.
Perhaps, they never will…

Abaixo segue o link onde vocês encontrarão o clipe da música. No entanto, basta clicar na letra acima que também será executado o mesmo clipe e que está disponível na Internet em: http://www.youtube.com/watch?v=nkvLq0TYiwI
(*) Imagens obtidas em : http://pt.wikipedia.org/wiki/Vincent_van_Gogh disponíveis em 24/02/2009 23:34.

janeiro 21, 2009

À minha mestra

Posted in Meus textos; Homenagem às 11:30 pm por espacointuicao

À minha mestra, Maria Guilhermina Duarte, que durante o ano de 1986, nas aulas de literatura, incutiu em minha mente a grande dúvida do eterno movimento.

Como uma fada, com seu suave toque, abriu a caixa de Pandora e despertou os demônios que habitaram minh’alma e trouxeram à tona o desejo da dúvida e em suas peraltices trouxeram-me o conhecimento das artimanhas dos discursos. Com a luz do seu conhecimento aplainou o caminho indicando-me a direção para a busca da lendária pedra filosofal.

Confesso que a proposta de Heráclito, além de impor-me um grande desafio para compreender o que é e no momento seguinte não é mais; a cada instante, a cada batida do coração que já não era mais meu e que no instante anterior o era. Esse eterno devir dilacerou a minha visão da eternidade. Iniciou-me, em seguida, no grande problema do conhecimento do todo e da parte quão sutil estava exposto no poema de Gregório de Matos.

Como sei que és amante da música, não pude deixar de lembrar-me de ti quando lia a pequena passagem abaixo no livro de Marcel Proust: “No caminho de Swann”.

Tentarei defenir em poucas palavras o momento da obra de Proust onde encontra-se a passagem em epígrafe: Swann sofre perdidamente por Odette, mulher que atiçou-lhe o mais nobre dos sentimentos que um homem pode ter por uma mulher. Com aquela malícia, natural de todas as mulheres, que fazem os homens se jogarem aos seus pés, seduzira o nobre Swann. Resgatara-o da letargia na qual viviam os solterões ricos da França do final do século XIX. Seu amor era como uma fogueira que aquecia-lhe a alma, até o momento em que Odette, sua grande paixão, despreza-o e passa a cortejar outros senhores. Mesmo diante dessa decepção Swann agitava-se com tudo que pudesse lembrar Odette. Era ela, agora, a senhora do seu destino. Como Beatriz para Dante, Odette o era para Swann. Longe de Odette vivia no limbo, próximo de Odette ou de algo que pudesse lembrá-la, estava no Paraíso.

Pois assim foi. Em uma festa da alta aristocracia Parisiense, onde Odette nunca poderia estar, já desliludido com o encontro. Desliludido, por ninguém saber ou se interessar pelo seu romance. Súbito, irrompeu-lhe uma grande alegria ao ouvir acordes de violinos em uma sonata. Como aqueles dos felizes encontros com Odette na casa dos Vinteuil. Doces reminiscências, há muito sufocadas, trazem-no um êxtase incomparável, assim Proust comovido pela situação de Swann, escreve:

Há no violino – quando não se vê o instrumento e não se pode ligar o que se ouve à sua imagem, coisa que modifica a sonoridade – acentos que lhe são tão comuns com certas vozes de contralto, que se tem a ilusão de que uma cantora veio ajuntar-se ao concerto. Erguemos os olhos e só vemos as caixas dos violinos, preciosas como estojos chineses, mas, por um momento, ainda nos iludimos com o enganoso apelo da sereia: às vezes também se julga ouvir um gênio cativo que se debate no fundo da sábia caixa, enfeitiçada e fremente, como um diabo numa pia d’água benta; ou então é no ar que o sentimos, como um ser sobrenatural e puro que passasse desenrolando a sua invisível mensagem.(PROUST, Marcel. 1982. p. 202)

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Referências bibliográficas

PROUST, Marcel. No caminho de Swann. Trad. Mário Quintana. São Paulo: Abril Cultural, 1982.
(*) A imagem acima, Homens em seu atelier fabricando violinos. disponível em http://www.orkestkidsite.nl/kidsitejpg/stradivarius.jpg, 21/01/2009 23:59