janeiro 27, 2008

O Todo e a Parte

Posted in Filosofia, Poemas Barroco às 12:50 am por espacointuicao


No poema abaixo, escrito no século XVII, Gregório de Matos – considerado um marco do Barroco no Brasil – discorre sobre dois conceitos da linguagem: O Todo e a Parte.

Sua análise é aguçada quando encontra um braço, supostamente de uma imagem do Menino Jesus. A percepção do braço leva-o a mentalizar toda a imagem do Menino Jesus. Logo por dedução: O Todo está em toda Parte… é uma pérola do silogismo.

Por Gregório de Matos(*)


O todo sem a parte não é todo,
A parte sem o todo não é parte,
Mas se a parte o faz todo, sendo parte,

Não se diga, que é parte, sendo todo.

Em todo o Sacramento está Deus todo,
E todo assiste inteiro em qualquer parte,
E feito em partes todo em toda a parte,

Em qualquer parte sempre fica o todo.

O braço de Jesus não seja parte,
Pois que feito Jesus em partes todo,

Assiste cada parte em sua parte.

Não se sabendo parte deste todo,
Um braço, que lhe acharam, sendo parte,

Nos disse as partes todas deste todo.


(*) Gregório de Matos e Guerra nascido em Salvador ou Recifie, provavelmente em abril de 1623, alcunha Boca do Inferno, foi advogado e poeta do período colonial. É considerado o maior poeta do Barroco brasileiro. (Dados obtidos do Wikipédia. Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Greg%C3%B3rio_de_Matos. 26/01/2008)

(**) Imagem obtida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Imagem:Greg%C3%B3rio_de_Matos.jpg. Disponível em: 26/01/2008.