outubro 14, 2009

A Evolução

Posted in Poemas às 1:17 am por espacointuicao

Fui rocha, em tempo, e fui, no mundo antigo,
Tronco ou ramo na incógnita floresta…
Onda, espumei, quebrando-me na aresta
Do granito, antiquissimo inimigo…
Rugi, fera talvez, buscando abrigo
Na caverna que ensombra urze e giesta;
Ou, monstro primitivo, ergui a testa
No limoso paúl [paul], glauco pacigo [pascigo]…
Hoje sou homem – e na sombra enorme
vejo, a meus pés, a escada multiform,
Que desce, em espiraes, na immensidade…

Interrogo o infinito e ás vezes chóro…
Mas, estendendo as mãos no vacuo, adoro
E aspiro unicamente á liberdade…

Anthero Tarquínio de Quental(1842-1891)

__________________
(*)Foto: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/9/9d/Antero_de_Quental.jpg, em 13/10/2009 – 23:00hs
QUENTAL, Anthero de. Os sonetos completos de Anthero de Quental.(Martins, Oliveira [1845-1894])Texto disponível em: http://purl.pt/index/geral/aut/PT/10763.html. 14/10/2009 02:30hs
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outubro 8, 2009

Porque eu te amo…

Posted in Músicas favoritas às 9:52 pm por espacointuicao

Advertência: A letra da música foi digitada de forma livre, portanto, podem aparecer erros ou faltar palavras. Todavia, procurei fazer o melhor para captar a letra da música que eu acho muito bonita.

Para ver o clipe da música clique no título ou Aqui.


Because I love you
Steve B.

Chords…
I caught your letter, the postman leaves in the other day.
So, I decided I’d do this song.
Just let you know, exactly the way I feel.
And Let you know my love is for real.

Because I love you and I’ll do anything,
I’ll give you my heart, my everything.
Because I love you, I’ll be by your side.
To be your light, To be your guide.

If you sure fell, that I don’t really care
And let you started to lose ground.
Just let me really show you, that truly you can count me.
That I’ll always be around.

Because I love you my heart is open door.
Girl, Don’t you want please come on in.
Because I love you and I’ll be by your side.
To be your light, to be your guide.

Chords…

If you sure feel, that I don’t really care
and that you started to lose ground.
Just let me show you
That truly you can count on me.
How I’ll always be around

Because I love, my heart is open door.
Girl, Don’t you want please come on in.
Because I love you and I’ll be by your side.
To be you light, to your guide.

Chords…

outubro 3, 2009

Prelúdio à primavera

Posted in Meus textos às 1:47 am por espacointuicao

Joandre Oliveira Melo

Hoje o Céu escureceu. O sol ainda estava a pino e uma enorme nuvem negra, vinda dos lados de nossa vizinha Itaúna, cobriu a sua luminescência, trazendo as primeiras chuvas depois do inverno; prelúdio à primavera.

O inverno ainda não findou, mas já começa a enfraquecer-se e a ceder lugar ao perscrutar de mais uma primavera que nos enche de alegria e esperança.

A época das flores, da renovação da ramaria dos arvoredos, avizinha-se. Doces odores já espalham-se pelo ar quente, parece saudar a próxima estação.

Os pássaros já pressentem a aproximação da primavera; entoam seus cantos multicores. Uma sinfonia de sons: arrulhos, chilros, silvos.

Mas a nuvem negra permanece intacta, balofa, prestes a se arrebentar – encheu-se com o calor, sugando as águas do São João e outros arroios que encontrou no caminho enquanto crescia – anuncia a primeira chuvarada, o calor sufoca e faz as primeiras gotas precipitarem-se quentes, pesadas. Despencam inclinadas pelo vento que sopra forte.

Subitamente, tudo se cala ou é suplantado pelo estrondo do choque das maciças e quentes gotas que se desfazem ao chocar-se com o solo duro e ressecado. Os raios comemoram como serpentinas e iluminam o dia que parece ter virado noite. E a nuvem escura desfaz-se aos poucos, entregando-se entre lágrimas e soluços toda a sua existência. Em breve toda a negritude pavorosa se transformará em um néctar que irromperá pelos sulcos da terra até às suas entranhas quentes e escuras; e, alimentará o submundo das raízes e sementes esquecidas. Trará à superfície novamente a vida. A vida que a sequidão e o sopro gélido do inverno roubaram.

Solitário, distante de todo esse maravilhoso espetáculo, aqui estou, preso em meu escritório, completamente seco e indiferente ao que acontece lá fora. Apenas penso nas informações que se sobrepõem com a rapidez alada da nova geração de redes de computadores. Vejo apenas a tela colorida artificialmente por luzes criadas por led’s – invenções humanas – dispostos simetricamente a criar imagens às quais respondo com frenéticos cliques do meu mouse. Neste mundo plástico, artificialmente colorido, matematicamente construído, vivo a ferros. E a bela e grandiosa ópera que se apresenta lá fora, é-me completamente indiferente.

No entanto, algo me alegra. Ao olhar, por um momento, pelo vidro da janela, açoitado pelas rajadas de gotas – como projéteis cuspidos por metralhadoras – observo um ipê a desfolhar-se. Vejo suas flores amarelas, prematuras, arrancadas impiedosamente; mas, junto com as flores sacrificadas vejo pequeninos embrulhos, observo com maior cuidado e assevero-me que são pequeninas sementes cuidadosamente embaladas em um invólucro de celulose transparente, vestidas para brotar. Arrancadas impiedosamente pelo temporal seguem tácitas em meio à barrenta enxurrada para cumprirem o seu destino…

setembro 17, 2009

Mais dois, no Paraíso das Letras…

Posted in Meus textos; Homenagem às 1:07 am por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

No último sábado, doze de setembro de 2009, em uma tarde, que apesar de inverno, trazia consigo o acolhedor calor da primavera que se anunciava, tomaram posse nas cadeiras de número um (01) o Prof. Dr. Flávio Marcus da Silva e cadeira doze (12) o professor e ator José Roberto Pereira. Tendo como patronos: Robson Correia de Almeida egrégio escritor e historiador de nossa terra e o titã da literatura Mineira Guimarães Rosa, respectivamente. Ambas, as cadeiras, ocupadas, anteriormente, pelos falecidos acadêmicos: Dirceu Mendonça e Sylvio Lage Pinto.

A natureza já pressentindo o perscrutar da primavera – que chegará dentro de alguns dias – metamorfoseava-se em cores e cheiros. Os pássaros já gorjeavam doces melodias; os sons eram como as flautas dos sátiros, encantados pelo desabrochar da natureza, em busca das ninfas do campo.

Neste cenário Dionisíaco ocorreu o evento de posse dos felizardos escritores às cadeiras da Academia de Letras de Pará de Minas.

Com um belo discurso o acadêmico Prof. Geraldo Fernandes Fonte Boa apresentou aos convidados o Prof. Fávio Marcus da Silva e a Sra. Terezinha Pereira introduziu o Prof. José Roberto Pereira.

Discursaram os novos acadêmicos. Cada um a sua maneira emocionou os ouvintes que os aplaudiram efusivamente. Durante suas palavras, nem mesmo os neo-acadêmicos escaparam da emoção que os acometia.

José Roberto Pereira quebrou o protocolo encenando um conto de seu patrono. E soube transpor com maestria, através das cenas, as palavras do seu patrono, o preclaro escritor Guimarães Rosa.

O Prof. Flávio Marcus em seu sóbrio discurso soube, como ninguém, revelar o ofício do escritor. O escritor, completa o neo-academico em uma metáfora fantástica, deve dilacerar o seu corpo até sangrar abundantemente. Esse sangue que jorra de dentro, pela dilaceração, demonstra o golpe lancinante que aflorará em belíssimos arranjos de idéias cuidadosamente postas em uma folha de papel. Lá, no papel, deixará impressa sua digital; a digital do seu espírito único, singular, inquieto… E o imortalizará.

setembro 1, 2009

A Biblioteca do Povo – Pará de Minas

Posted in Divulgação às 1:09 am por espacointuicao

Conheça:

A Biblioteca do Povo – Pará de Minas

* inaugurada em 19 de agosto de 2009 *

A Biblioteca do Povo – Pará de Minas foi criada por iniciativa da UNIMED-Pará de Minas e Academia de Letras de Pará de Minas em parceria com a Safol-Móveis de Aços. Conta com o apoio das empresas que oferecem o espaço para as estantes de livros e da Secretaria Municipal de Cultura. Tem como objetivos:

– incentivar a leitura

– estimular as pessoas a cuidarem de bens da comunidade, neste caso, o livro.

A Biblioteca do Povo é para uso de todo leitor de Pará de Minas ou daquele que estiver de passagem pela cidade. As estantes com os livros ficam nos seguintes locais:

_ Casa de Carnes Qualy, na Av. Pres. Vargas, 164

_ Supermercado Panelão, na rua S. José, 377

_ Ascicred -agência bancária, na rua Benedito Valadares, 51

_ Hospital N. Sra. da Conceição, na rua do Cruzeiro, s/no

Em qualquer destes pontos, o leitor tem acesso a centenas de títulos, sem nenhum custo. Quem quiser ler um livro (ou revista) pode retirá-lo de uma das estantes localizadas nos pontos de apoio e levá-lo (a) para ler onde desejar.

Recomenda-se que cuide bem do objeto escolhido e, quando terminar a leitura, coloque-o em qualquer uma das estantes da Biblioteca do Povo. Caso goste muito da leitura e queira ficar com o livro retirado, pede-se que doe outro livro ou periódico, deixando-o em qualquer um dos pontos.

Todo cidadão desta terra pode ser um incentivador desta ação. Quem tiver livros em boas condições de uso, que apenas estejam ocupando espaço em suas estantes e quiser doá-los à Biblioteca do Povo – Pará de Minas, basta deixá-los em algum dos pontos citados acima.

Colabore.

A cultura de Pará de Minas agradece.


agosto 15, 2009

Apologia à "Primeira Pedra"

Posted in Meus textos às 10:38 pm por espacointuicao

Joandre Oliveira Melo

Na última sexta-feira, lendo a coluna da preclara escritora Ana Cláudia, ilustre ocupante de uma cadeira na Academia de Letras de Pará de Minas, no Jornal Diário – o que faço frequentemente, principalmente as colunas dos escritores de Pará de Minas – deparei-me com a opinião da nobre escritora sobre as acusações que pesam sobre alguns políticos brasileiros, onda que espalha-se e encontra ressonância nos espíritos do sofrido povo brasileiro, e traz consigo indignação e o desprezo pela política e assuntos afins e, que tanto mal tem trazido para o povo, aquele que vota e acredita que as coisas melhorarão.

As sóbrias palavras da escritora encontraram eco em minhas convicções de que existe em nós uma maquiavélica cultura de fazer ou ver o outro sofrer. Não é preciso lembrar as famosas “vídeo-cassetadas” apresentadas por uma grande e poderosa emissora de TV ou as não menos bárbaras pegadinhas veiculadas em outras emissoras. Ainda, a onda de desespero e desalento com a política e os políticos que a fazem, parece legitimar uma situação de revanchismo levando as pessoas a agirem por contravenções, justificando-se que aquilo que sonegam, será inevitavelmente apropriado indevidamente por homens inescrupulosos e que, na posição que ocupam, deveriam defender o povo, pois foi por esse povo investido do poder que ora usufruem.

Tal é o clamor da escritora quando indaga: “(…)Em pequenas proporções todos nós somos corruptos. Quem não quer levar vantagem no seu dia-a-dia? Quem devolve um troco recebido a mais? Quem não utiliza um jeitinho de anular uma multa? De ter um lucro a mais? De fazer prova olhando uma ‘colinha’? De usar influência para arrumar um emprego para um familiar ou amigo?(…)”. Ora tudo isto é bem verdade e passam despercebidos em nosso cotidiano. Gostaria, continua a escritora, de ver um senado moralizado, um povo cumpridor das suas obrigações, mas, sobretudo críticos e exigentes em relação à uma postura responsável dos políticos.

O desejo da nobre escritora é realmente legítimo, está velho e desgastado; não se deve, contudo, esquecê-lo. Sabemos do poder do mercado. As relações mercantilistas forjadas durante séculos não se dobram tão facilmente aos discursos e nem ao capricho dos nossos desejos.

No entanto, pesam sobre nossos ombros essa situação vil que nos acomete. Embora o processo histórico seja decisivo, não é permanente e nem imutável nossa condição. Não existe um sistema soberano, além dos desejos e das ações dos homens; eles o criaram, mas se esquecem disto e consideram-no transcendente à sua vontade Retomando, nossa posição é decisiva diante das situações, corrigindo nosso modo de ser: pensando em comunidade e não apenas em si ou pessoas da nossa familia. É preciso romper as barreiras e experimentarmos a liberdade de podermos considerar nossa família, todos aqueles que estão próximos a nós nos momentos de nossa vida. Podemos “pensar globalmente e agir localmente”. É preciso, baseando-me na eminente escritora, quebrar os grilhões da individualidade.

Por outro lado, o enfraquecimento dos meios de comunicação, sérios – que hoje vivem de escândalos, do apelo à sexualidade e das desgraças que acometem a sociedade -, em parte por nossa ausência de crítica, por essa cultura provinciana da (des)informação, do culto aos processos alienantes (futebol, a cerveja, à vida encerrada em nossas casas, nossos sítios e nos computadores). Mas, também pelo processo globalizado, pela modernização e disseminação da informação como produto do mercado através da Internet e dos fabulosos meios de comunicação modernos. O atual estado degradante dos meios de comunicação sérios levou o grande filósofo da atualidade Jürgen Habermas a propor a estatização de tais meios como solução.

É visível, que as dificuldades da modernidade, fizeram os jornais e revistas sérios curvarem-se ao poder do mercado transformando-se em apenas Meios de Comunicação de Massa. Esses Meios agora podem trabalhar a favor do capital e das elites, legitimando sua posição, levando-nos à massificação e alienação. Já ouviu-se o clamor de alguns de que vivemos de escândalos em escândalos. A mídia empresta seu poder ao seu verdugo para a manipulação das intenções do povo e, de acordo com os interesses, um a um os escândalos são esquecidos, são substituídos por outros mais recentes até não serem mais lembrados.

Resumindo, encontro dois problemas principais que concorrem para a atual situação degradante, além do processo histórico que não está em questão aqui, tendo em vista que disse ser algo mutável através de nossas ações. O primeiro é o nosso desinteresse para com as coisas públicas, com as nossas instituições. A alienação degradante do povo brasileiro que se deixa levar ao sabor da manipulação do mercado. Nosso desinteresse pelo outro. O segundo é o mercado e sua visão individualista de mundo. O segundo influencia o primeiro que alimenta e perpetua o segundo.

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Referências
SALDANHA, Ana Cláudia. A primeira pedra. publicado no Jornal Diário em 14 de agosto de 2009. p. 8

agosto 3, 2009

Devaneios de uma noite sem dormir…

Posted in Meus textos às 1:09 am por espacointuicao

Joandre Oliveira Melo

Vocês já passaram por aquelas intermináveis noites, quando não conseguimos dormir e, irritados com o dia amanhecendo e a hora de se levantar para trabalhar aproximando-se, a cada toque do despertador sobre o criado-mudo – com seu tic-tac insolente que parece zombar de nosso infortúnio, adentra a madrugada? Você sabe que o cansanço abaterá sem piedade durante as longas horas de trabalho no dia seguinte.

Numa dessas terríveis noites, que me acometem frequentemente, comecei a pensar sobre mim. Sobre o que eu poderia ser, o que estaria escondido dentro de mim e além de mim; o quanto de mim vibrava lá fora. Enquanto pensava, ouvia, ao longe, o criquilar de um grilo; parecia o som de um ser galhofeiro. Será que está ele também a galhofar do meu sortilégio ou sou eu quem atribuo essa qualidade ao seu canto? Pobre grilo; está apenas a passar o tempo até o findar da noite.

Era uma noite sem lua e a escuridão envolvia a cidade que dormia, alheia aos meus sentimentos. Era noite na cidade, independente do que pensasse ou desejasse; era só a noite, e eu numa angústia nietzcheniana. Logo, acudiram-me os pensamentos noturnos. Pensei na dama da noite, senhora suprema da escuridão: assim concebia a morte.

E a noite vazia dos ruídos do dia, apenas aquele som irritantemente agudo daquele grilo galhofeiro, trazia-me à mente os atores do teatro das sombras, cuja a atriz principal é a morte.

É interessante a idéia de que exista algo além da morte; não sei se é idéia ou necessidade. De outro modo caimos no existencialismo: – Existo; e sei que existo, porém, caminho para o nada. Apenas a existência me basta.

O que me angustia é que eu sei que existo e caminho para a morte, eu tenho consciência disto; porém não posso, da mesma forma, saber (comprovar) que haja algo além da morte. Talvez por que não haja, ou talvez por que consciente da minha existência e tão apegado a ela, não consiga idealizar outra existência ou estado que não este, do qual sou prisioneiro.

As paixões me movem pela vida afora. o medo do definitivo traz tanto terror quanto o relativismo da mudança. No entanto, o definitivo na vida é a constante mudança e, só assim, observando e sentindo as mudanças é que tenho consciência que existo. Afinal só quem existe muda; quem não existe, é definitivo.

O que não daria para poder tocar, sentir ou entender o que está além. Se sou poeira de estrelas, se sei disto porque tenho consciência, logo faço parte dele (Universo); e, se torno-me parte consciente, não passo de apenas uma parte dele pensando sobre si mesmo. Assim, não existo, senão em potência.

Me vem à memória algo que li em Hegel, antes de dormir, quando explana sobre o ser-em-si e o ser-para-si. Se sou, – porque sei que existo e ouço o grilo criquilar – e tenho consciência de mim, eu sou eu e o universo é o universo. Mas, se sou parte dele, enquanto poeira de estrela e o universo é o todo, em mim está a parte. Mas, não sou apenas a parte mais minúscula e desprezível do todo, pois, eu sou um ser-para-si. Neste mesmo terreno onde ergue-se a materia do todo, deste mesmo chão que me sustenta, brotam todas as coisas; inclusive eu. Mas eu as conheço e as compreendo e sei que não estou nelas; é como se eu fosse eu e as coisas elas mesmas. Estar consciente de mim torna-me algo diferente para as coisas como as coisas o são para mim.

Além das coisas, além da consciência-para-si, existe o nada. Apenas o nada. E o nada não existe por si só. Do nada não se pode extrair a consciência. O nada não pode pensar em si mesmo Ele não é-para-si.

Para se ir além, é preciso assumir que eu existo e continuarei existindo como parte do todo sem cair no abismo do nada. Mas, se só posso conceber, devido a minha existência “natural”, aquilo que é considerado “natural”, logo, o nada não pode ser concebido (pensado), porém, a sua existência antecede a existência do todo: ou será que o nada é apenas a não existência do todo.? Isto o torna também parte do todo.

julho 17, 2009

Ética da compreensão

Posted in Textos Livros às 12:01 am por espacointuicao

A ética da compreensão é a arte de viver que nos demanda, em primeiro lugar, compreender de modo desinteressado. Demanda grande esforço, pois não pode esperar nenhuma reciprocidade: aquele que é ameaçado de morte por um fanático compreende por que o fanático quer matá-lo, sabendo que este jamais o compreenderá. Compreender o fanático que é incapaz de nos compreender é compreender as raízes, as formas e manifestações do fanatismo humano. É compreender porque e como se odeia ou se despreza. A ética da compreensão pede que se compreenda a incompreensão.(MORIN, Edgar. Os sete saberes necessários à educação do futuro. São Paulo: Cortez. 2000, p. 99).

A conduta ética proposta pelo nobre filósofo Edgar Morin, parece-me ideal; contudo, não sei se seremos capazes de dar a outra face ou de vencermos o egoísmo para compreender o outro. Penso que, enquanto todos não pensarem como Morin, manteremos afiadas nossas espadas…

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(*) foto disponível: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/07/Edgar_Morin.jpg 16/07/2009 21:13hs.

julho 14, 2009

As cartas de amor e a juventude

Posted in Textos Livros às 12:41 am por espacointuicao

Voltei para casa. Acabava de viver o primeiro dia do ano dos homens velhos, que nesse dia se distinguem dos jovens não porque já não lhes dêem boas-festas, mas porque não acreditam mais no Ano-Novo. Eu ganhei boas-festas, sim, mas não a única que me teria alegrado: uma carta de Gilberte. E no entanto eu era ainda jovem, pois lhe escrevera uma carta com a qual esperava, contando-lhe os sonhos solitários da minha ternura, inspirar-lhe sonhos semelhantes. A tristeza dos homens que envelheceram consiste em nem ao menos pensar em escrever tais cartas, porpque já sabem que são inúteis.

(PROUST, Marcel(1871-1922). À sombra das raparigas em flor. Trad. Mario Quintana. São Paulo: Globo, 2006. p. 86)

Foto: Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/turismo/europa/images/proust_01.jpg. 13/07/2009 21:51

junho 19, 2009

Aos meus alunos com carinho…

Posted in Meus textos, Meus textos; Homenagem às 12:39 am por espacointuicao

O que escrevo abaixo não poderia retribuir a homenagem a mim prestada por meus alunos de Sociologia da Escola Estadual Zico Ferreira, em Torneiros, ao fim do meu período em substituição à professora efetiva. Seria como comentar um clássico de Goethe ou um verso de Homero. No entanto, atrevo-me a grafar as pequenas notas que se podem ler abaixo:


Quando Cheguei…


Quando cheguei, após minha recente conclusão do curso de graduação em História, pensei que encontraria apenas a argila estéril; poços rasos encharcados por uma água salobra e pusilânime. Destarte, era o estereótipo da juventude que trazia na minha mente preconceituosa.


Porém, meus queridos alunos mostraram-me que, por baixo de dura e estéril camada de argila e da terra apodrecida pelas águas que acumulavam em seus sulcos, sem poder penetrar terra adentro, a qual imaginara, deitava uma terra fértil e, ali, sementes tão tenras e saudáveis em doce hibernação, somente esperando que a argila fosse revirada e os charcos drenados, para se abrirem ao calor do sol e enraizarem-se frenética e fortemente ao seio daquele solo acolhedor; nutrindo-se pela dádiva da natureza, espontaneamente doada ao regozijo dos homens e mulheres.


Eram sementinhas com desejos latentes, sonhos joviais e uma irresistível e maravilhosa vontade de viver… Eram como lindas pérolas escondidas em ostras feias… como os diamantes, que vêm da lama…


O meu trabalho seria apenas o de remover e revirar a camada estéril e expor ao mundo aquelas sementes, como outros fizeram comigo, e outros antes destes e antes, durante todo o meu período de vida, até os dias de hoje… Logo vi que as sementes já sentiam a
ponta do arado cortando a argila dura e, antes mesmo que toda a camada sem vida fosse revolvida, já irromperam em um afã maravilhoso! Ainda frágeis brotinhos; porém decididos, a enverdecer a terra sem cor, em riste contra o céu


Daí em diante, meu trabalho se tornou prazer e aprendizado; bastou-me ser como a chuva benfazeja a regar aqueles brotinhos. E toda a terra estéril, logo se tornou uma linda planície verdejante, exalando os mais deliciosos perfumes; uma alegria jovial e uma paz que reinavam.


Assim, aquelas sementes me ensinaram que não basta apenas o sulco do arado, a chuva benfazeja ou o calor envolvente da terra ao sol… basta apenas que a semente seja boa e esteja tenra e saudável para vencer as barreiras que lhe serão impostas. E como eram boas as sementes que encontrei…


Jamais me esquecerei das tenras sementinhas, cheias de vida, repletas de esperança; dos seus sorrisos espontâneos, suas tagarelices incessantes e aquela inquietação, típica dos jovens, que tem a vida inteira pela frente e não se contentam em ser, apenas, testemunhas da História.


Na Escola Estadual Zico Ferreira, lecionei pela primeira vez: lá me ensinaram a ser professor!

Joandre Oliveira Melo, 12 de junho de 2009.

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