abril 27, 2008

O trabalhador, a foice e o martelo

Posted in Músicas favoritas, Meus textos às 9:42 pm por espacointuicao

Por Joandre Oliveira Melo

Aproxima-se o 1º de maio, dia do trabalho – escolhido em homenagem à greve geral 1º de maio de 1886 em Chicago. Abaixo escrevi algumas linhas, um tributo a todos aqueles que sucumbiram como matéria-prima do famigerado sistema capitalista. Todos aqueles consumidos para alimentar as fornalhas da Revolução Industrial.

A todas as crianças que tiveram seus sonhos pueris destruídos, seus corpos dilacerados pela parafernália mecanizada das indústrias. Intermináveis horas de trabalho duro às quais foram submetidas e depois deixadas à própria sorte e às intempéries da natureza.

Àqueles que privados de respirar pela poeira das escavações que endureceram seus pulmões condenando-os a uma lenta e agonizante morte.

Um lamento, a todos homens que libertando-se da sua mais íntima natureza, através do raciocínio, foram atraídos ao jugo dos mais terríveis senhores: O individualismo, o egoísmo e a avareza. A lamentável destruição da lei da manada, da tribo e do clã para dar lugar à lei da ordem e do progresso…

Citação de Marx:

Alguns dos diferentes métodos de acumulação primitiva, como regime colonial, dívidas públicas, fazenda moderna, sistema protecionista, etc., assentam no emprego da força; todavia todos, sem exceção, exploram o poder do Estado, a força concentrada e organizada da sociedade, a fim de precipitar violentamente o passo da ordem econômica feudal à ordem econômica capitalista, e abreviar os períodos de transição. Com efeito, a força é a parte de toda a velha sociedade em vésperas de feliz parto; a força é um agente econômico.(MARX, Karl. 19??. P. 193)

A letra da música abaixo, traduz bem o meu pensamento. Acho que poderia ser um hino dos explorados:

Cidadão
Lúcio Barbosa

Tá vendo aquele edifício moço?
Ajudei a levantar
Foi um tempo de aflição
Eram quatro condução
Duas pra ir, duas pra voltar
Hoje depois dele pronto
olho pra cima e fico tonto
Mas me chega um cidadão
e me diz desconfiado, tu tá aí admirado
ou tá querendo roubar?
meu domingo tá perdido
vou pra casa entristecido
Dá vontade de beber
E pra aumentar o meu tédio
eu nem posso olhar pro prédio
que eu ajudei a fazer
Tá vendo aquele colégio moço?
Eu também trabalhei lá
Lá eu quase me arrebento
Pus a massa fiz cimento
Ajudei a rebocar
Minha filha inocente
vem pra mim toda contente
Pai vou me matricular
Mas me diz um cidadão
Criança de pé no chão
aqui não pode estudar
Esta dor doeu mais forte
por que que eu deixei o norte
eu me pus a me dizer
Lá a seca castigava
mas o pouco que eu plantava
tinha direito a colher
Tá vendo aquela igreja moço?
Onde o padre diz amém
Pus o sino e o badalo
Enchi minha mão de calo
Lá eu trabalhei também
Lá sim valeu a pena
Tem quermesse, tem novena
e o padre me deixa entrar
Foi lá que Cristo me disse
Rapaz deixe de tolice
não se deixe amedrontar
Fui eu quem criou a terra
enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
e na maioria das casas
Eu também não posso entrar
Fui eu quem criou a terra
enchi o rio fiz a serra
Não deixei nada faltar
Hoje o homem criou asas
e na maioria das casas
Eu também não posso entrar


“Meu Maio”, de Vladimir Maiakovski

A todos
Que saíram às ruas
De corpo-máquina cansado,
A todos
Que imploram feriado
Às costas que a terra extenua –
Primeiro de Maio!
Meu mundo, em primaveras,
Derrete a neve com sol gaio.
Sou operário –
Este é o meu maio!
Sou camponês – Este é o meu mês.
Sou ferro –
Eis o maio que eu quero!
Sou terra –
O maio é minha era!


(*) Imagens baixadas do site: http://www.culturabrasil.pro.br/diadotrabalho.htm, em 27/04/2008, 22:15.
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Referências Bibliográficas

MARX, Karl. Capítulo XXVII – A acumulação primitiva efetuou-se pela força. In.: O Capital. Texto condensado. Tradução revista por: Gesner de Wilton Morgado. Ediouro, São Paulo: 19?? (P. 193).

A letra da música, O Cidadão disponível em: http://vagalume.uol.com.br/ze-geraldo/cidadao.html, 27/04/2008: 22:15.

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abril 13, 2008

A luta pela vida no reino animal – (A gaivota e o peixe) 2ª parte

Posted in Textos Victor às 1:38 pm por espacointuicao

Por Víctor Duarte Melo

No meio do oceano, passa-se um dia calmo; mas, os peixes com sua “superaudição” escutam o bravo pio da gaivota, que deseperadamente querendo se alimentar avista um rápido peixe nadando sob as águas azuis-turquesa, pequeno, mas para saciar sua fome, ele é um grande petisco.

E ela desce em disparada e o peixe, presentindo o ataque, acelera. A gaivota agarra-o fortemente com seu bico, arranca-o das águas azuis-turquesa, o peixe sem conseguir respirar tem uma morte trágica.

Todo ser vivo, não interessa o que seja – animal ou pessoa -, tem medo da morte.

É o medo da morte que nos faz fugir, reagir, mentir, enganar e muitas outras coisas.

Texto escrito por: Víctor Duarte Melo – 12 anos. Meu filho querido.
Revisado por: Joandre Oliveira Melo
(*) Foto: Víctor (2007)